Arquivo mensais:março 2014

Segue o caos na EACH da USP

Os jornais hoje noticiam: está confirmado, as aulas da EACH voltam 2ªf.

Só não se sabe onde.

É um desrespeito sem tamanho! Imagine você nessa situação. No ano passado, uma longa greve como resposta ao grave caso de contaminação do solo da unidade. As atividades voltam ao normal e professores alunos pegam “piolhos do pombo” e entram em contato com “água imprópria”. Em 2014, um novo reitor assume a USP dizendo ter como prioridade resolver o caso da USP-Leste. Começa o ano letivo em toda USP, menos na referida unidade. Na EACH, o reitor promete a volta às aulas para 10/03. Chega a data prometida e o prazo é prorrogado para 24/03. Aproxima-se o prazo novamente e a promessa da reitoria é de que, a qualquer custo, vão voltar as aulas, mas não se sabe onde!

A EACH é a expressão mais clara, na USP, do descaso do governo estadual com a educação. E, em pouco tempo de gestão, o novo reitor, Marco Antônio Zago, já demonstra fazer jus à tradição das reitorias da USP – todas, não à toa, nomeadas diretamente pelo governo. É pura enrolação, falta de democracia e descaso com a comunidade acadêmica. O que o novo reitor domina mesmo é o discurso “técnico”, a falsa imagem do “diálogo” e a habilidade para sangrar o orçamento da USP como nunca antes na história recente da universidade. Bastante confiante – tem 4 anos pela frente, como disse em debate na Calourada dos estudantes – vai desafiando a paciência e a inteligência de todos. O que de fato está mudando com Zago? Me parece que a única saída é ter luta na USP em 2014!

Oportunismo contra Plínio

Alguns oportunistas estão reverberando pelas redes que Plínio de Arruda Sampaio apoia Geraldo Alckmin e José Serra, os tucanos de São Paulo. Tudo baseado numa entrevista um tanto infeliz que o “velho” deu no último domingo à Ilustrada, da Folha. Nela, Plínio faz comentários curtos sobre várias figuras. Os comentários que fez sobre Serra e Alckmin, na minha opinião, são infelizes, não refletem as posições e o programa do PSOL (e só afirma o contrário quem é desonesto) e diferem da própria prática política pública de Plínio, como foi nas eleições de 2010 – o que abre espaço para pensar que Mônica Bergamo não deve ter sido nada generosa na edição da matéria.

Mas para que não se perca o foco e não predomine a nuvem de fumaça e calúnia que tenta criar o oportunismo, quero falar dessa foto: nela, Plínio está numa das mais importantes passeatas de Junho de 2013, apoiando diretamente a luta contra o aumento da tarifa. Com isso, é possível lembrar não somente de toda sua história de luta no Brasil – intocável por qualquer entrevista infeliz -, mas, sobretudo, de um fato importante: nessa mesma data, os que estavam ao lado do “honesto” governador do Estado, Geraldo Alckmin, são justamente os que agora criticam Plínio. O PT de Fernando Haddad, que viajava para Paris ao lado do tucano, orquestrando a repressão e tentativa de desmoralização do movimento no Brasil. Sua militância fiel – essa mesma que agora vocifera pelas redes – não estava nas ruas com a juventude, mas sim apostando na defesa da prefeitura. E assim, aliás, estava o PT não somente nessa ocasião, mas em toda tônica de seus governos: nas opções da política econômica voltada aos banqueiros (que lindo era o amor “honesto” entre Lula e Henrique Meireles!); nas privatizações; na aliança com o agronegócio; na repressão aos movimentos sociais, orquestrada pelo Ministro Cardozo em aliança com Grella, do PSDB; na governabilidade corrupta estabelecida com figuras da ditadura militar, como Maluf, e com o pior da oligarquia do país, como na relação alegre e “honesta” de Dilma com o PMDB.

O PT de hoje é uma farsa. E a tentativa de sua militância de atingir Plínio, além de patética, é uma tentativa de atingir o PSOL. São os mesmos que, no Rio de Janeiro, têm o sinal de alerta ligado em relação a Marcelo Freixo (pois estão mesmo é com Cabral e Paes), e que, pelas redes, já caluniam também Randolfe Rodrigues e Luciana Genro (as figuras do PSOL para as eleições). Para isso, escamoteiam totalmente o fato de que uma coisa é uma entrevista isolada, e outra é uma prática sistemática de governo, a aliança com a grande burguesia, a traição aberta e completa aos trabalhadores e ao ideal socialista. Toda trajetória pública e política de Plínio e do PSOL é de enfrentamento impiedoso com o PSDB. O mesmo já não pode dizer o PT.

Por fim, ainda, alguns setores do esquerdismo também refletem o fato. E, ao lado da chacota oportunista, buscam igualmente desgastar o PSOL, vendo no episódio a oportunidade de afirmar o acerto de suas teses que não têm apelo na sociedade. Para estes companheiros, mais vale disputar alguns poucos de uma vanguarda universitária no Facebook do que construir uma alternativa de esquerda real para o país. E tentam, para isso, ver em Plínio a confirmação do “reformismo”, do “personalismo” e da “capitulação” – uma piada! A contradição é estes próprios companheiros repercutirem, nas redes, alguns dos piores materiais que circulam pela internet, de páginas estalinistas e caluniosas. O afã da auto-proclamação é sempre um veneno e inimigo daqueles que buscam romper os limites da estreiteza política.

Nos orgulha ter no partido figuras como Plínio e outras, com peso de ocupar uma página inteira da Ilustrada da Folha de domingo. Sua entrevista foi infeliz. Discordo dela. Mas o oportunismo, de qualquer ordem, não pode passar sem resposta.

*Publicado no Facebook em 12/03/14, acompanhado de foto de Plínio na manifestação de 13/06/13.

Carnaval

Sempre tive predileção pelos velhos que andam nas calçadas com ar de “xereta”. As mãos ficam para trás, a cabeça se inclina na angulatura própria da curiosidade – e aí estão os fiscais do cotidiano.

15 minutos atrás, encontrei um desses nas proximidades de casa, quando estava voltando da padaria. Bem velhinho. Cabelos totalmente brancos. Aquela cara bisbilhoteira.

Quando passei por ele, o velho me olhou e cravou, entre o bom e o mau humor: “Lá vem chuva, hein?”.

Tiro e queda: choveu.