Arquivo mensais:outubro 2014

Alívio, sim, comemoração, não

Alívio, sim. Comemoração, não.

É impressionante o nível de ignorância e de discurso de ódio de uma parcela do eleitorado do Aécio. Perderam. Também é impressionante o nível de ilusão de uma parcela do eleitorado da Dilma, mesmo após. 12 anos de governo do PT, partido que traiu a classe trabalhadora.

Sou dos que acreditam que as “eleições do marketing” mais escondem do que demonstram. No que realmente importa, PT e PSDB já são e serão cada vez mais aliados. O Aécio do belo crescimento econômico que ilude os paulistas é o que mais traria a austeridade para o Brasil, ou seja, o fracasso econômico. A Dilma da emancipação do nordeste do julgo dos coronéis e da direita é a Dilma que venceu em cima dos palanques de Collor e Sarney. Nas suas mansões, os donos das empreiteiras, dos bancos e das multinacionais estão tranquilos. Vão apenas esperar Dilma festejar sua madrugada no Champagne, e Aécio lamentar-se no Rivotril, para amanhã retomar diálogo com ambos. Eles têm muitos planos pela frente.

A esquerda coerente e radical vai seguir nas ruas.

O PSOL nas eleições

Terminou! A todos amigos e familiares que confiaram no PSOL, obrigado! Valeu a pena. No Brasil, o PSOL ampliou de 3 para 5 sua bancada de deputados federais. E elegemos 12 deputados estaduais.

Em São Paulo, reelegemos Carlos Giannazi com uma votação histórica, e também Ivan Valente. Ampliamos nossa bancada estadual para 2 companheiros, com a eleição de Raul Marcelo!

Thiago Aguiar teve um votação fortíssima e surpreendente, com quase 8 mil votos em sua primeira eleição. Uma campanha de força militante e ideias poderosas.

Mas o melhor de tudo é saber que não começamos, e muito menos terminamos, com as eleições. O PSOL em 2014 vocalizou no processo eleitoral as lutas de junho, as lutas por um país e um mundo melhores de se viver, livres da opressão e da exploração. E construímos um legado coletivo de nome Luciana Genro. O orgulho não cabe no peito.

Viva!

Sobre o debate da Globo nas eleições de 2014

Tanta coisa que eu queria falar sobre o debate de ontem! Mas não tenho tempo para escrever. Pontuo rapidamente apenas o que realmente não posso deixar de falar:

- Levy Fidelix chegou desmoralizado no debate. Seu semblante de nervosismo extremo, quase espumando, era o retrato do fascista quando este se vê acuado pelo resposta daqueles que despreza. A luta LGBT e a consciência, que avança, de uma parcela expressiva dos brasileiros, fez com que a derrota acachapante deste traste no debate da Globo tenha sido um dos processos mais pedagógicos da eleição.

- A política se politizou e se polarizou após junho. Ficaram para trás os debates insossos. As posições ficam mais claras e o espaço para a esquerda se amplia. Everaldo é um fiasco. Eduardo Jorge, em suas inconsistências, insuficiente. Aécio, um charlatão, é desmascarado em série por Luciana Genro. Dilma, comprovando que o espaço se abre à esquerda, é obrigado a vir para este lado (no discurso) sempre que quer se destacar. Mas sua máscara cai diante da primeira pergunta sobre a legalização do abordo (que resposta vergonhosa!) ou das verdades apontadas por Luciana, de que o PT, assim como os tucanos, também privatiza, também se corrompe, também faz alianças com a direita. Marina, desidratando, é a vítima de querer ser o que tenta ser justamente numa eleição mais politizada. Quem não escolhe lado, cai no fosso.

- Mil e uma coisas gostaria de falar sobre a Luciana Genro. Que orgulho! Como, em tão poucos minutos, tanta coisa coube num único debate? Nossa candidata soube falar de dívida pública, taxação de fortunas, legalização das drogas, corrupção, direitos. Conseguiu colocar contra a parede cada um dos três irmãos siameses – Dilma, Marina e Aécio -, além de depenar Fidelix. Teve uma frieza incrível para enfrentar toda tentativa de desestabilização machista! Vejam: logo na primeira pergunta, Levy colocou no centro de um debate “político” o “ex-marido” de Luciana. Em seguida, chamou a candidata do PSOL ao púlpito da Globo de maneira flagrantemente machista, também se referindo a ela como “mocinha”. Aécio, o burguês reacionário, ergueu o dedo em postura de autoridade contra Luciana, ordenando que ela não fosse “leviana”. Mas a candidata do PSOL, calmamente e com autoridade, impôs-se: “Você não levante o dedo pra mim”. Aécio abaixou. E essa cena entrou pra história.

1% é uma ova. 50 no dia 5 de outubro!

1º de outubro de 2013

Faz um ano que ocupamos a reitoria da USP e iniciamos a greve de 2013 – uma das mais fortes dos últimos tempos entre os estudantes. Tenho as melhores lembranças dessa luta que fizemos! Sem dúvida, foi a força de junho de 2013 (à época, tão pertinho de período em que estávamos) que nos tornou capaz de fazer o que fizemos: mais de 50 dias de greve e de ocupação numa experiência única do movimento estudantil. Naqueles meses, até o cansaço que sentíamos parecia diferente, tamanho era o sentimento de luta, de ascenso e possibilidade de vencer! Construímos durante anos e radicalizamos a luta por democracia na USP. Denunciamos a necessidade das eleições diretas, da estatuinte e de mudanças estruturais na universidade. Mobilizamos dezenas de cursos de diferentes campi (o que dizer de São Carlos!) de maneira ampla. O movimento estudantil se democratizou e aprendeu da melhor maneira possível: lutando. Dobramos, por semanas, a espinha do reitor Rodas, da mídia e até mesmo da justiça.

No fim, acabamos por não vencer. Sem dúvidas, pela truculência do governo e da reitoria. Em parte, também pela atuação prejudicial de alguns setores ultra-esquerdistas do movimento. Mas não troco as experiências que tivemos por nada! Tenho certeza de que ganhamos a consciência da sociedade e da universidade com nossa luta. As lições que tiramos foram e são fundamentais para o que seguimos fazendo (como a lição da desocupação e das prisões de João Victor e Inauê, retratos da repressão do Estado e do governo, que são a regra). Tenho certeza de que, em parte, inspiramos funcionários e professores na greve deste ano (que foi ainda mais forte e vitoriosa!). A greve e a ocupação de 2013 nos fizeram mais fortes para a luta, da qual desde então não arredamos o pé, como vimos nas jornadas de mobilização da Copa, ao lado do MTST e, inclusive, agora, de uma forma diferente, nas eleições, esse enorme terreno árido que atravessamos semeando corajosamente o socialismo e a nova política.

Da nossa greve e ocupação de 2013, em particular, não troco por nada a experiência que tive ao lado de uma nova geração de ativistas aguerrida, inteligente e abnegada. São os melhores, porque forjados na luta! Viva a luta por democracia na USP!

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