Arquivos da categoria: Jornadas de Junho

Um ano da avalanche do Brasil nas ruas

17 de junho de 2014. Hoje, completa-se um ano do dia em que saímos às ruas às centenas de milhares, com o país transbordando. Um ano do dia em que derrotamos a repressão, ganhamos a consciência do povo e viramos a maré. Um ano dia em que vimos luzes de prédios e casas piscando, bandeiras do Brasil tremulando e um povo com orgulho de estar nas ruas. Um ano do dia em que humilhamos categoricamente Alckmin, Haddad e todos os grande políticos do país – os mesmos que, hoje, tentam normalizar o cenário e repetir suas velhas fórmulas falidas nas eleições de outubro.

Impossível não lembrar de cada passo daquele processo e dos momentos que antecederam a segunda-feira, 17.  Era impossível para qualquer um de nós prever o que viria. Me lembro dos otimistas apostando em um ato de 30, 40, quem sabe 50 mil em São Paulo. Foram muitos mais! Me lembro do Secretário de Segurança Pública, Fernando Grella, o mesmo que hoje ostenta orgulhosamente a repressão da PM paulista durante da Copa, sendo obrigado a dizer em rede nacional que, naquela data, a Polícia não usaria as “balas de borracha”. Nós expulsamos a PM das ruas.

Um ano depois, nada é como antes. Alguns ficam tristes de, no junho deste ano, o verde-e-amarelo das ruas não ser o da “luta”, mas o da Copa. Mas não há motivo para isso. A consciência não volta atrás. Hoje, se vibramos com a bola e torcemos pelo futebol, já não esquecemos, em contrapartida, dos nossos direitos, da legitimidade da luta, das injustiças que nos circundam e da brutalidade do sistema capitalista que oprime a todos. O futebol e o esporte já não manipulam um povo que acordou e tem consciência. E essa consciência, sem dúvida, está de pé em muito pelo que fomos capazes de fazer naquele dia, e nos dias subsequentes do mais extraordinário junho de nossas vidas.

17 de junho de 2013 segue presente. Presente nas tarifas que caíram. Presente em cada greve que fizemos e nas que faremos. Presente em cada ocupação de reitoria, de terra, de prédio. Presente em cada levante da periferia, em cada revolta negra que multiplica a resistência de Amarildos, Douglas, Cláudias e DGs. Presente no professor, no gari, no rodoviário, no metroviário e no “não tem arrego”. Presente na mulher, na negra, nas LGBTs. Presente nos trabalhadores do MTST, nas suas lições e vitórias. Presente em cada experiência maravilhosa que, sobretudo nós, os jovens, realizamos dia a dia, crescendo, apanhando, rasgando na marra as feridas desse mundo, para criar um outro possível.

O exemplo do 17 de junho de 2013 vai seguir assombrando os de cima, e dando motivação aos de baixo. Quando menos esperarem (ou quando já não puderem conter), estaremos de volta com a avalanche nas ruas. Lutam contra o inevitável os que tentam impedir isto – são os soldados do conservadorismo. E estaremos, numa avalanche, para arrastar ainda mais coisas podres do que já arrastamos da primeira vez. Dando mais um passo para construir um novo homem e uma nova mulher. Uma nova sociedade. Os conservadores e reacionários não podem nos calar. Não podem fechar de modo autoritário um capítulo da história que apenas começa a ser expectorado. Se assim pensam, não aprenderam nada com junho. Não viram que, não podendo com a formiga, não devem atiçar o formigueiro.

17

Foto: “A retomada”. Inesquecível chegada do bloco do Juntos à Paulista em 17/06/2013.

Junho de 2013 no Facebook

Que trabalho não terão os pesquisadores do futuro ao buscar os “arquivos” do Facebook!

E, no entanto, hoje em dia, parte fundamental de nossa expressão está por aí, solta na internet.

Em junho de 2013, junto com as ruas, também as redes transbordaram. E abrimos um novo momento histórico em nosso país. Ter orgulho deste mês é tão importante quanto saber que estamos apenas começando.

Abaixo, reúno parte do dia-a-dia de meu Facebook no mês de junho. Compilar tudo é uma tarefa impossível – são muitos os conteúdos. Optei por reunir o que me pareceu mais singular. Aquilo que, um dia, quero revisitar e agradecer a mim mesmo por não deixado se perder no Facebook.

O que neste próprio blog publiquei pode ser encontrado na aba Jornadas de Junho. O site do Juntos, do mesmo modo, traz vários (talvez dezenas) de textos escritos no período – todos coletivos, como são nossas lutas e sonhos. Um deles é este, que escrevi pela madrugada, com a cabeça a mil, após o ato em que, de uma só vez, tomamos a Consolação, a Radial Leste, e também bastante água, de um temporal quase profético que caiu sobre São Paulo em 11 de junho. Além das bombas de gás, é claro.

Muita coisa, ainda, está por aí, perdida, nas mãos de ninguém, ou de desconhecidos, ou de todos. Deste vídeo não esquecerei (nem deste).

10 de junho de 2013, às 11:53

Já foi Porto Alegre e Goiânia. Vai chegar São Paulo! #aRuaÉNossa#MaréAmarela 

12 de junho de 2013, às 01:32

E uma coisa devo dizer antes de dormir: hoje, no auge do temporal no ato, descendo Consolação abaixo, absolutamente encharcado e cantando palavras de ordem, encontrei um senhor (que estava feito um jovem em meio à multidão): o vereador do PSOL em SP, Toninho Vespoli. Tenho orgulho de ser deste partido.

12 de junho de 2013, às 11:56

Venho anunciar uma espetacular notícia: hoje e amanhã, está confirmado o reforço em terras paulistanas da Nathi Bittencurt, coordenadora-geral do DCE da UFRGS e grande liderança do Juntos! na luta vitoriosa contra o aumento da tarifa em Porto Alegre! Vamos sacudir a USP, São Paulo e todo Brasil! Acabou o amor, isso aqui vai virar Porto Alegre!

13 de junho de 2013, às 10:05

Nós vamos derrotar a campanha difamatória da mídia. Nós vamos barrar o aumento. Acordar e ver tanta gente esperançosa por aqui me enche de confiança também. Sou mais um a dizer: hoje nos vemos na RUA. Ela é nossa e ninguém vai nos impedir. Até lá.

13 de junho de 2013, às 22:59

Suplico peremptoriamente: NUNCA MAIS VOTEM NO PT OU NO PSDB. Inimigos, canalhas, representações políticas da burguesia e de seus interesses!

14 de junho de 2013, às 08:42

Já a Folha não pode ocultar os fatos como antes. A violência veio da PM, inclusive sobre seus repórteres. Vai virar a maré.

14 de junho de 2013, às 09:10

E após vociferar fascistices pelo Twitter, nosso amado governador Alckmin encerrou o dia dedicando “Parabéns a toda população de Guaratinguetá pelos 383 anos da cidade”.

Canalha. Que ninguém tenha dúvida de que cada ação criminosa da Polícia ontem foi ordenada por ele próprio, direto da baixada santista, onde estava, com anuência do PT. Dos bicos tucanos, só sai o atraso e o autoritarismo. Nem parece que estamos em uma democracia. Varrer esses canalhas é tudo que precisamos. Jogar no lixo da história.

14 de junho de 2013, às 11:42

Vale a pena assistir à entrevista do Haddad para a Globo. O retrato da defensiva. De ontem, duas conclusões estão sendo tiradas por parte da ampla maioria da população:

1) A violência vem dos governos e da polícia.

2) A única maneira de se diminuir os conflitos na cidade é que a prefeitura e o governo revoguem imediatamente os aumentos. Essa é a única via de diálogo possível. Será que eles não vão ceder?

14 de junho de 2013, às 20:55

O discurso padronizado sobre “vandalismo”, por parte da polícia, das prefeituras e dos governos, já está beirando o ridículo. Já está superado o único argumento a que se agarravam os que agora estão cada vez mais contra as paredes.

O que os caras não querem é mexer nos lucros dos empresários. Mas nós queremos – pelos nossos direitos. E vamos vencer.

14 de junho de 2013, às 23:01

A partir de amanhã, estaremos com a Oposição de Esquerda no 11 CONUEE-SP. Entre o CONUNE e este congresso, foram poucos dias, mas muita coisa mudou. Os jovens de São Paulo e do Brasil se levantaram contra o aumento das tarifas (pelos centavos e pelos direitos), colocando os governos do PSDB e PT contra a parede. Estamos fazendo história. Esta maré, que tanto dizemos estar virando (alguns não entendem), é que vamos levar também ao CONUEE. Vamos juntos!

16 de junho de 2013, às 22:12

Até mesmo o 11º Congresso da UEE-SP refletiu os novos tempos que já estamos vivendo. O principal espaço de discussão, que chacoalhou o congresso, foi sem dúvida o debate sobre transportes, a luta da tarifa e os direitos humanos no Brasil. A participação do Thiago Aguiar, diretor da UNE pela Oposição de Esquerda, foi determinante – cativou todo plenário e deu o tom do momento em que estamos. [leia na íntegra]

16 de junho de 2013, às 23:17

Procurei no Facebook e entrei em contato com uma das autoras do livro da “Juventude Sin Futuro”, da Espanha, de que falei nas últimas postagens do pelastabelas.juntos.org.br. Em portunhol, busquei noticiar/explicar as enormes mobilizações por que temos passado. E ela me respondeu:

“Vaya, qué ilusión!

Me es difícil seguir lo que está pasando en Brasil por los medios de comunicación, si sabes de algún medio en castellano que esté haciendo una buena cobertura te lo agradecería, porque las noticias son confusas.

Un abrazo, adelante los pueblos sin miedo!”

16 de junho de 2013, às 23:23

Uma foto que vou guardar com enorme carinho e emoção. Em meio à multidão que se concentrava em frente ao Teatro Municipal, puxávamos palavras de ordem para agitar o movimento. A certa altura, todos estavam se sentando – a intenção era, a seguir, de uma só vez, levantar todo mundo com o tradicional canto de “pula, sai do chão, contra o aumento do busão…”

E nessa hora chegou Plínio. Virou jogral. Jogral desse guerreiro de 83 anos, admirável, exemplo e motivação para nunca sair das ruas.

eu_e_plinio

17 de junho de 2013, às 11:17

Hoje o dia vai transbordar. Forte e lindo texto do Grupo de Trabalho Nacional do Juntos! Façamos, como em todo mundo, a nossa primavera.

18 de junho de 2013, às 00:43

A HISTÓRIA É HOJE. EIS A NOSSA PRIMAVERA.

18 de junho de 2013, às 01:53

Haddad e Alckmin: REVOGUEM O AUMENTO DAS TARIFAS JÁ. Simples assim. Ainda não perceberam?

18 de junho de 2013, às 10:52

Thiago Aguiar ao vivo agora no programa da Fátima Bernardes! A mídia vai ter que nos engolir!

18 de junho de 2013, às 12:29

AS TARIFAS ESTÃO CAINDO NO BRASIL! CAIU NOVAMENTE EM PORTO ALEGRE! CUIABÁ! JOÃO PESSOA! MUITAS CIDADES! ALCKMIN E HADDAD, REVOGUEM O AUMENTO! LARGUEM OS ANÉIS PORQUE, LOGO LOGO, NÓS VAMOS LEVAR SÃO OS DEDOS!!!

18 de junho de 2013

Acabou o amor. Isso aqui está virando São Paulo.

batata

19 de junho de 2013, às 12:35

Ontem, no ônibus, quando cruzei a ponte do Rio Pinheiros, tive a sensação de que jamais olharia para a Marginal da mesma maneira. E, quando cheguei ao centro, lá estavam novamente as ruas lotadas. A Paulista – incrível! É impossível que as tarifas não caiam. E que não seja só o começo. #aRuaÉNossa!

19 de junho de 2013, às 12:57

Haddad traidor. Desafiando nossa força. Será derrotado e varrido da história. Assim como Alckmin. Todos para o ato amanhã às 17h na Praça do Ciclista! Até as tarifas caírem!

19 de junho de 2013, às 13:04

Orgulho do nosso guerreiro Bruno Magalhães, do Juntos!, que ontem liderou um ato com 6 mil no Grajaú, na Zona Sul de São Paulo!

“Não se fala em outra coisa no Grajaú. Nas escolas, nos comércios e na rua todo mundo está comentando. Ontem a população deu o exemplo, hoje as manifestações vão se espalhar pela cidade. Atos convocados espontaneamente surgem por toda zona sul, as notícias dão a impressão de um levante popular. Camaradas, agora é hora de calma e muita coragem!”

19 de junho de 2013, às 14:24

E isso ainda não comentei: companheiras/os do Rompendo Amarras impactantes na capa da Folha Cotidiano ontem. Bem demais! Essa é a Oposição de Esquerda!#aRuaÉNOSSA!

20 de junho de 2013, às 05:44

O DOCE SABOR DA VITÓRIA.

20 de junho de 2013, às 13:04

A cabeça erguida e a camisa de “Nada deve parecer impossível de mudar” com Gabriel Lindenbach. O abraço e os olhos cheios de lágrimas da Paula Kaufmann Sacchetto. Uma foto histórica, que simboliza demais nossa luta e nosso tempo. Estamos apenas começando!

vitoria

20 de junho de 2013, às 13:12

Recordar é viver. Cantem comigo uma versão parafraseada. Vem, São Paulô:

HAAAAAAA-A-A-A-DAAAAD

PERDEU PRO POVO DESSA CIDADE!

20 de junho de 2013, às 13:59

E não é que, realizando que são “somente” 20 centavos, já parece pouco?

Agora queremos mais e mais. Hoje, as ruas vão ser nossas de novo. Às 17h na Praça do Ciclista, com concentração do Juntos! às 15h!

20 de junho de 2013, às 22:23

O Brasil não volta para casa. Não adiantou baixarem as tarifas. Há um descontentamento generalizado e profundo com tudo. Mais de 100 cidades em protesto. Certamente, mais de 1 milhão de pessoas nas ruas. Os políticos e a classe dominante se acuam. O sentido que leva as pessoas às ruas é o da transformação progressista, ainda que a direita – da pior qualidade – tente manipular a massa. Já estamos e vamos presenciar cada vez mais momentos de profundas mudanças. Nunca foi tão importante estarmos Juntos!, com reivindicações que possam fazer o movimento avançar. A rua já é totalmente nossa!

20 de junho de 2013, às 23:16

Pessoal, pelo amor de deus, parem com essa coisa de “golpe”. O único “golpe” que existe é o que vemos nas ruas todos os dias, a polícia e a burguesia mandando bater nos manifestantes. Da população, o que vem é a vontade de transformação, negando as coisas da maneira como elas existem hoje. Ou então ninguém teria saído às ruas justamente após a brutal repressão policial à manifestação pacífica em São Paulo. Não podemos confundir uma tropa de fascistoides infiltrados, que fica atrás de nós nas manifestações, com os milhões que estão nas ruas.

Agitar o medo, agora, só contribui para que a esquerda não possa intervir e, consequentemente, que o movimento seja derrotado. Infelizmente, esse é o papel que cumpre conscientemente o PT – aliás, um dos principais responsáveis pelo atual rechaço completo aos partidos; um partido que traiu, desencantou as massas e agora quer derrotar o movimento novamente.

Não vamos permitir que isso aconteça. O espírito das praças da Espanha, por Democracia Real Já!, podem ganhar cada vez mais força no Brasil com a nossa luta.

21 de junho de 2013, às 00:09

Que tal derrubarmos o Feliciano e a “cura gay” amanhã?

21 de junho de 2013, às 13:03

Eu não tenho nem quero cura. Nós não temos cura! Fora Feliciano!

21 de junho de 2013, às 14:16

O mundo caindo, e o SBT? passando Chaves. Rs…

22 de junho de 2013, às 00:17

O PT É NOSSO INIMIGO

Tenho ouvido da parte de alguns a proposta de “unidade com o PT” nas ruas de São Paulo e do Brasil, contra um suposto “fascismo” ou “golpe”. Como assim?! Unidade com nossos inimigos? O povo hoje está na rua contra o PT, o PSDB e todos os partidos corruptos da ordem. Quem foi que aumentou as tarifas em São Paulo, em parceria com o governo do estado, e resistiu até o último segundo para não reduzi-la? Quem governa atualmente o país, beneficiando os de cima e dando migalhas para os de baixo? Quem está no centro da manutenção de figuras como Renan Calheiros e Marcos Feliciano no poder? [leia na íntegra]

22 de junho de 2013, às 11:05

A síntese do dia com Vladimir Saflate hoje na Folha de São Paulo.

“Agora não é hora de medo. Agora é hora de luta.”

Nada além disso!

22 de junho de 2013, às 12:52

Não é muito melhor que as pessoas se reivindiquem brasileiras estando nas ruas, lutando, exigindo direitos, enfrentando os políticos e a ordem, do que assistindo aos jogos da seleção em frente ao sofá?

Não existe maior erro para um internacionalista do que virar as costas para o movimento de massas. Ou maior arrogância para um esquerda-coxinha do que se declarar superior pelo Facebook, sem estar à altura das ruas. Eu tenho orgulho do povo que está na rua! A referência ao Brasil é uma referência da mobilização de massas em nosso país, que, inclusive, não conflita com o sentimento e a referência internacional. Eu estou muito feliz por, em plena Copa das Confederações, ouvir falar mais de Brasil pela boca do povo em luta do que pelo Galvão Bueno!

23 de junho de 2013

Tudo teve um começo. Hoje, é o último dia que pagamos R$ 3,20 nas passagens em São Paulo. Nas ruas, vencemos!

vitt

23 de junho de 2013

E, ainda na série “recordações de quando eu pagava R$ 3,20″, vejam a lembrancinha que guardei do dia da vitória, quarta-feira, direto de um ônibus de São Paulo.

preço

23 de junho de 2013

O próximo passo é derrubar FELICIANO. A cura para este racista-homofóbico é uma só: RUA! 26-J – DIA NACIONAL PARA DERRUBAR FELICIANO!

24 de junho de 2013, às 14:37

Bem o MPL. Agindo da mesma modo que nos levou à vitória das tarifas. Quando Haddad chamava para conversar, iam – pois nós é que nunca tivemos medo do “diálogo”. Mas deixavam sempre claro quem era quem e qual era a única solução para os impasses: a revogação dos aumentos.

Agora, sob o ponto de vista dos transportes, passe livre é o que queremos. Deixando claro quem é Dilma, de que lado está e o que exigimos dela. Venceremos!

24 de junho de 2013, às 22:54

Antes de qualquer coisa: José Serra, vai ser oportunista na PUTA QUE PARIU! Lamentável a TV Cultura querendo ressuscitar esse canalha já sepultado da política!

[Serra esteve no Roda Viva da TV Cultura nesse dia]

25 de junho de 2013, às 13:53

Há 20 anos, Rogério vestia a camisa do São Paulo como titular pela primeira vez. Um M1TO!

25 de junho de 2013, às 23:13

Safatle hoje matou a pau no debate do DCE. Um filósofo à altura dos novos tempos!

25 de junho, às 23:19

Caiu a PEC 37!

25 de junho de 2013, às 23:56

É um levante. É popular. E é da juventude. Mas tudo o que o “Levante Popular da Juventude” mais quer é que todos estejam com o PT e a Dilma. No início, quando bicho pegava direto com o Haddad, não apareciam nos atos para valer. Depois, passaram a engrossar o discurso sobre o “fascismo” e a direitização das ruas pelo “golpe”. Não encontrando eco na realidade, retrocederam, foram obrigados a reconhecer as mobilizações (inclusive da periferia) e, agora, simplificam a equação: simplesmente defendem os “pactos” da Dilma, que busca seguir governando o Brasil para os de cima sem ter dores de cabeça com os de baixo [leia na íntegra]

26 de junho de 2013, às 12:17

Impressionante como o Brasil continua fervendo. A garoa e o frio paulistano não são o retrato do país. No interior, tudo quanto é prefeitura e câmara municipal está em maus lençóis. Os políticos de todo Brasil se amedrontam. Ficam pequenininhos. Nossas vitórias se acumulam e queremos cada vez mais. Hoje, no Brasil, nosso coração está em Minas Gerais, contra a Copa, a FIFA e os governos. E principalmente: contra FELICIANO. Não vamos parar!

27 de junho de 2013, às 11:12

pergunte ao pó
(paulo leminski)

“cresce a vida
cresce o tempo
cresce tudo
e vira sempre
esse momento

cresce o ponto
bem no meio
do amor seu centro
assim como
o que a gente sente
e não diz
cresce dentro”

Obrigado a todos que me deram os parabéns no dia de ontem!

28 de junho de 2013, às 09:28

Linda foto de um dos dias mais belos. 17 de junho. A chegada triunfante do Juntos! à Avenida Paulista. Nunca vou me esquecer!

pta

28 de junho de 2013, às 11:45

Nesse tempo diferente, acelerado e lindo, mais um pouquinho de Paulo Leminski:

por um lindésimo de segundo
(paulo leminski)

tudo em mim
anda a mil
tudo assim
tudo por um fio
tudo feito
tudo estivesse no cio
tudo pisando macio
tudo psiu

tudo em minha volta
anda às tontas
como se as coisas
fossem todas
afinal de contas

29 de junho de 2013, às 09:56

O que dirão alguns? Que cresceu em 27% o fascismo no Brasil? A classe média reacionária? Não. É o povo na rua que está fazendo sua experiência com o PT e todos governos.

[Sobre a queda em 27 pontos da popularidade de Dilma após os protestos]

Novo Tom Zé Povo

“Rua”, “novo”, “muito mais”, “nunca mais”. Com Tom Zé, surge a música de nossas manifestações. “Povo novo” é uma canção que nasce na história e sintetiza as contradições e virtudes do tempo que vivemos. Uma música que nos enche de esperança e afasta o medo.

Para o compositor, a rua é o espaço da angústia, do grito e da dor. Mesmo que não se saiba ainda por o quê gritar, ou que se tenha de maneira “crua” a consciência, é ali que as coisas se resolvem. É ali que, em “atos beatos”, recusa-se o “desfile pela paz”; que se exige cada vez mais direitos e dignidade; que se impõe um basta à velha política e à direita; que se extravasa a “azia” e a “gastura” que temos com ela.

Trata-se de um povo novo. De um momento diferente. Nele, meninas e meninos, jovens e velhos, trabalhadores, todos erguem a cabeça para deixar claro que não vão “calar a boca” — nunca mais. Não vão se ajoelhar à “políticaradura”.

Aos 76 anos, Tom Zé está sintonizado. Com alegria e simplicidade, seu violão passa a ser mais uma de nossas armas, todas boas, na luta por desabar a felicidade sobre os homens.

POVO NOVO

Quero gritar na
Próxima esqui na
Olha meni na
O que gritar ah/oh
O que gritar ah/oh

A minha dor está na rua
Ainda crua
Em ato um tanto beato, mas
Calar a boca, nunca mais!

O povo novo quer muito mais
Do que desfile pela paz
Mas
Quer muito mais

Quero gritar na
Próxima esqui na
Olha meni na
O que gritar ah/oh
O que gritar ah/oh

Olha, menino, que a direita
Já se azeita
Querendo entrar na receita, mas
De gororoba, nunca mais!

Já me deu azia, me deu gastura
Essa políticaradura
Dura,
Que rapa-dura!

A direita está isolada

Três fatos me parecem bastante claros esta semana:

1) A direita está isolada. Ontem, em São Paulo, a manifestação “pela volta dos militares ao poder” reuniu tão somente QUATRO manifestantes. Por todo Brasil, se espalham mobilizações por pautas progressistas. O fantasma do “fascismo” se esvaiu completamente. A direita – não o fascismo – segue e seguirá se organizando. FHC é entrevistado no Canal Livre, Serra no Roda Viva. Mas não encontram base real para dirigir e acumular com o movimento. Nas cidades em que o PSDB tem convocado manifestações, somente pelo fato do PT estar nas prefeituras, não raro a população desmascara a velha direita. Caiu a PEC 37 e o balanço é da mobilização e pressão popular, não da articulação conservadora em torno da pauta.

2) A mobilização se fortalece. Ontem, estivemos em quase 1000 contra Marco Feliciano e a “cura gay” pela Avenida Paulista e em frente à sede do PSC. Foi uma mobilização nacional. Em Brasília, obrigamos o presidente da Câmara de Deputados a nos receber, na defensiva. Crescem as mobilizações nas periferias e por causas populares. As Centrais Sindicais convocam greve geral para 11 de julho. No interior, tudo quanto é prefeitura ou câmara municipal está em maus lençóis. Ocuparam a Câmara Municipal de Santa Maria, no RS. Ocuparam a reitoria da UFMG. Em grandes capitais, a mobilização segue explosiva e vigorosa. Acumulam-se as conquistas. Os políticos tradicionais, representantes da burguesia, tremem de medo como nunca antes. Trabalham até tarde. Impõem uma pauta pela “positiva”. Recebem os movimentos. Prendem, pela primeira vez na história, um deputado corrupto, do PMDB. Tornam a corrupção crime hediondo. Sinalizam com o passe-livre para os estudantes. Derrubam a PEC 37. Prometem derrubar a “cura gay”. Demonstram, a cada declaração, que só a nossa luta seguirá trazendo conquistas.

3) Houve menos pessoas dentro do estádio Mineirão, ontem, do que fora, protestando. Ninguém tolera a farra da Copa do Mundo no Brasil, com o governo federal canalizando diretamente nosso dinheiro para o bolso das empreiteiras. Domingo, no Rio de Janeiro, deve ser ainda maior. E eis a terceira conclusão – para mim óbvia – de se tirar das manifestações dessa semana: ninguém topou os tais dos “pactos” da Dilma. Esse é o recado das centenas de milhares que continuam nas ruas. O discurso da presidenta, que mais parecia reciclagem de promessa eleitoral, não convenceu ninguém. Aliás, nem ela própria, o Ministro da Justiça ou a OAB, que, juntos, no dia seguinte ao pronunciamento, retrocederam naquela que parecia a proposta mais avançada: plebiscito e processo constituinte de Reforma Política. O discurso de Dilma é um engodo. Entre os que estão nas ruas e os senhores que estão nos gabinetes e bancos, o PT reafirma, a cada momento, uma escolha clara: está com os de cima. E não é este o sentido da movimentação dos de baixo. Podemos ter certeza: ao esvaziar a tentativa do governo federal de domesticar as ruas, isolamos cada vez mais, em todas suas representações, a direita brasileira.

ju

30 mil nas ruas da Zona Leste

Passei hoje por uma das experiências mais incríveis desde o início do extraordinário levante que estamos vivendo. 30 mil pessoas nas ruas da Zona Leste de São Paulo, saindo do Tatuapé e caminhando muito, muito mesmo, sem cansar (confesso que saí no meio da passeata) em direção ao centro. Estavam lá principalmente jovens, uma molecada de 15, 16, 17 anos. Outros com mais idade. Muitos casais. Alguns com filhos pequenos. Uma marcha predominantemente da classe média baixa, bastante popularizada. Espontânea, refletindo a massa brasileira que não quer, de modo algum, sair das ruas. Que sabe que 20 centavos é pouco. Que recusa a política da maneira como ela é hoje. Que desconfia das instituições e vê em suas próprias manifestações o caminho para construir um país diferente. Uma massa que não tem líderes, mas já começa, nas ruas, a perceber a importância de termos organização e reivindicações claras para vencer. Pegam pesado com a PEC-37, com a corrupção, com os gastos na Copa do Mundo, com os políticos burgueses e a mídia. Expressam, a cada canto, de maneira genuína, com palavrões e descontração, o tempo e a história que estamos fazendo. No meio do ato, pronunciou-se a Presidenta da República. Sabendo das notícias ao vivo, o povo ironizou o fato de Dilma dizer que “apoiava” as manifestações, ciente de que estava na rua contra ela e os políticos em geral. Ninguém está disposto a ser enganado.

As pessoas estavam felizes, politizadas, radicais – empoderadas! Muitas com a camiseta do Brasil, bandeiras, faixas com reivindicações legítimas e importantes, por dignidade e direitos. Nas janelas, era impressionante o apoio da população. Alguns prédios, mais colados às ruas, chegavam a ter em quase todos os apartamentos gente nas janelas. Todos acenando, muitos vibrando de maneira convicta. Alguns tremulavam a bandeira do Brasil com tanta força e alegria, que quase me levaram – a mim, um internacionalista – às lágrimas. Fiquei, confesso, junto com todo povo, muito feliz. Havia acabado de sair da USP, de um debate importante e interessante promovido pelo PET-Filosofia, mas no qual se refletiu bastante um temor a respeito do rumo que as manifestações têm tomado. Alguns chegaram a defender uma “unidade com o PT contra o fascismo”. Ou mesmo que nos retirássemos das ruas. De maneira alguma! Se é verdade que alguns skinheads e ultra-direitas se infiltram nas manifestações para manipulá-las, mais verdade ainda é que o povo está na rua tomando o destino em suas mãos e exigindo os direitos. De forma espontânea, democrática, radical e absolutamente impressionante. Estamos colocando a classe dominante e todos os governos na defensiva (basta ver o discurso oficial de Dilma hoje), em passeatas pelas ruas do centro e das periferias. Por fim, vou dizer: uma galera ficou animada para ir amanhã na Plenária do Juntos-SP!

Algumas das palavras de ordem entoadas:

“Hoje eu tô feliz/ Eu tô na rua pra mudar o meu país!”
“Brasil, vamos acordar/ O professor vale mais que o Neymar”
“Olha que legal/ É a Zona Leste tomando a Radial!”
“Quem apoia pisca a luz!” (E os apartamentos respondiam lindamente)
“Ei, Globo/ Vai tomar no cu!”
“Ô deputado, ô senador/ Quero te ver com salário de professor!”
“Fora corrupção/ Eu quero meu dinheiro pra saúde e educação”
“Doença é o caralho/ Feliciano, saia do armário!”
“Doutor, eu não me engano/ Filha da puta é o Feliciano”
“Quem não pula tá com a Dilma!”
“O povo unido/ É gente pra caralho!”
“Que coincidência/ Não tem polícia, não tem violência”
“O povo unido/ Jamais será vencido”
“Alckmin, fascista/ você que é terrorista!”
“Da copa eu abro mão/ Eu quero meu dinheiro pra saúde e educação”
“Copa é o caralho/ Educação, saúde e trabalho”

foto

A solidez do PT se desmancha no ar

É claro que o governo federal está agora perplexo, fazendo uma reunião de crise e de emergência. A massa brasileira que está indignada, nas ruas, recusa total e radicalmente a política como ela é hoje. A grande representação disso, naturalmente, é o governo federal, que agora se reúne quebrando a cabeça para tentar manter a ordem burguesa, da qual são os maiores mantenedores. O PT, que já foi capaz de movimentar a esperança de milhões, hoje governa com a direita, engrossa o saco da farinha podre da política nacional. Sem que tenham havido passeatas pedindo por isso, já estão todos juntos, no poder, ruralistas, capital financeiro, homofóbicos, ex-membros da ARENA. E, agora, esse levante popular multitudinário marca, de maneira abrupta e radical, uma ruptura de massas com o PT. O PT nunca mais conseguirá erguer suas bandeiras com dignidade pelas ruas de São Paulo e do Brasil. Trata-se de um partido que representa a decepção das pessoas com a política. Alguém já parou para pensar, o que significa, por exemplo, a decepção com Haddad para a população de São Paulo? O que era o atual prefeito na propaganda eleitoral e o que é no exercício de seu mandato?

O vigor do movimento de massas, em dias, transforma completamente tudo aquilo que pensávamos ser estável. Onde está a popularidade de mais de 70% da presidência? Onde está o todo poderoso Lula? Porque não resolve, ele, depressa logo toda essa situação? Porque o povo quer que todos se vão. Nada presta. A política e as grandes instituições estão apodrecidas. Não adianta a Globo manipular: o povo, na rua, manda ela “tomar no cu”. Não adianta a polícia travestir-se de respeitosa: todos sabem que a violência só não vem à tona quando não atuam os policiais. 

Uma certeza? O povo está certo: o PT é um partido de traidores. Outra? Estou na rua com esse povo, querendo construir uma alternativa pela positiva. Aprendendo, junto com eles (não me venham dizer que aprendo menos com os milhões do que com os 5 ou 6 mil com quem marchávamos anteriormente), que o PT deve ser superado, assim como o PSDB, DEM, PSD, PPS, PMDB, PC do B e qualquer resquício de ultra-direita que ainda exista no país. Ser radical, absolutamente radical na exigência democrática, agora, é exigir radicalmente o novo, não aceitar nada além do novo e da mudança, da revolução em nossas vidas. Inclusive dentro da esquerda, da política e dos partidos, infelizmente manchados pela traição da antiga esquerda. E assim avançar para que novo seja radicalmente democrático e ligado às pautas históricas do povo e da esquerda (mesmo que não identificado nominalmente com isso). Queremos uma democracia de verdade no Brasil. O método: ocupação das ruas, enfrentamento, desconfiança completa na burguesia e na polícia, já começou correto. Os métodos da esquerda, do poder popular, que apavoram completamente os de cima e os que a eles são subservientes.
Ainda que doa, é necessário dizer: além dos governos e prefeituras, do PT e PSDB, da Globo, da mídia e da burguesia, já se assustam e vão se assustar cada vez mais todos aqueles que, num passado recente, acreditaram ser possível haver “amor” – em SP e em todo Brasil – com as alternativas eleitorais e políticas do Partido dos Trabalhadores. Não é possível. As transformações radicais no Brasil têm de varrer também o PT da política nacional. E a “entrada” dos militantes desse partido na passeata de ontem em São Paulo foi uma provocação explícita.

O novo vem das ruas. Nas ruas completamente tomadas, nas quais muitos erguem bandeiras do Brasil e cantam o hino nacional, como é referência de qualquer mobilização de massas no Brasil. Com muito orgulho e com muito amor, estou convencido a construir uma democracia real já em meu país!

ato

Juventud Sin Futuro

“Y es que la política en la calle es la mejor política: cuando los ciudadanos recuperan el centro de la ciudad escaparate, cuando todos perdemos el miedo por encima de las contradicciones, cuando las paredes se llenan de ideas, de poemas, de consignas.

Madrid rebelde, Madrid hermosa, Madrid sin miedo.”

Rita Maestre e Carmen Aldama

O livro a que me referi na última postagem, do movimento “Juventud Sin Futuro” (e “sin miedo”), dos indignados da Espanha, está aqui: http://tinyurl.com/mtazezh

livro

Nos tornamos dezenas de milhares em um dia histórico

“São Paulo rebelde, São Paulo bela, São Paulo sem medo”.

atoo

No final do ano passado, num livro da “Juventude Sem Futuro”, da Espanha, li uma frase que me chamou atenção: “Madrid rebelde, Madrid hermosa, Madrid sin miedo”. Era escrita por uma jovem ativista dos indignados que sacudiam a capital do país e ocupavam Puerta del Sol.

Nunca esperei que, em tão pouco tempo, São Paulo se tornaria igualmente rebelde. Igualmente bela. Igualmente com cada vez menos medo. Hoje foi um dia histórico em todo Brasil, e é isso o que devemos ter em mente: fomos 4 mil em Porto Alegre. 10 mil no Rio. No mínimo, 15 mil em São Paulo. A reação fascista dos governos - que têm em Alckmin e no atual Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (PT), seus grandes líderes – demonstra também sua fragilidade. Há muito tempo, talvez há mais de dez anos, a burguesia não era obrigada a lidar com tanta gente na rua. A força da juventude está chacoalhando o Brasil justamente às vésperas de grandes eventos – Copa das Confederações, do Mundo e Olimpíadas – por meio dos quais se almeja alçar o Brasil ao topo do paraíso dos empresários. 20 centavos aqui, 30 acolá, em cada cidade do Brasil, estão se tornando muito mais do que moedas: são o campo de batalha em que podemos vencer e pelo qual já se abre uma nova situação política no país, como no mundo já vemos há quase 5 anos.

O Juntos é parte disso. Parte muito importante. Debaixo de um casaco fedendo a vinagre, me arrepio a cada momento que lembro de cada um de nossos militantes. Mesmo em meio a uma brutal repressão (hoje se comprova que ela vem da polícia e não dos manifestantes), fomos solidários. Coesos. Corajosos. Daqueles que – de onde vem tanta força? – levavam sobre a cabeça os instrumentos da bateria, mesmo em meio a bombas de gás, aos que hasteavam bandeiras para que nosso bloco se mantivesse coeso. Dos que se movimentavam coletiva e solidariamente (muitos distribuindo vinagre e mais vinagre), aos nossos camaradas da linha de frente que “negociavam” com a polícia. Estamos sendo grandes.

A dispersão, o gás, as balas e bombas não são o retrato do dia de hoje. O retrato são 15 mil nas ruas, incríveis, incontroláveis. Espontaneamente cantando palavras de ordem como “São Paulo acordou” e “O povo acordou”. E é verdade. Daqui para frente, podemos virar a maré. Ganhar o sentimento democrático para nós. Demonstrar que a violência vem somente da polícia e de seus chefes – os donos do poder desse país. E que as principais representações políticas da burguesia – PSDB e PT – precisam ser varridas da política nacional. Podemos, e já estamos abrindo uma nova situação no país.

Este será o retrato do dia 13 de junho de 2013. Histórico. Grandioso. E crescerá nossa confiança de que as bombas, os gases e os cassetetes poderão, tão somente, representar a faísca que incendiará o que eles, desesperadamente, buscam apagar. Nos tornando dezenas de milhares, eles não podem nos deter. E nós não vamos diminuir.

Parabéns a tod@s. Rebeldes, bel@s e sem medo.

A juventude está confiante

Hoje, São Paulo parou pelo segundo dia consecutivo. Milhares de jovens indignados tomaram as ruas da cidade. A luta contra o aumento das tarifas – de ônibus, trem e metrô – ganha força e, na próxima terça-feira, 11/06, será muito maior.

ato2

Somos parte de uma luta que acontece em todo país. Ontem, nossa cidade não marchou sozinha: esteve ao lado de Goiânia, Natal e Rio de Janeiro. E, sobretudo, fez agitar o exemplo de Porto Alegre, onde dezenas de milhares puderam, de fato, derrubar o aumento da tarifa. Hoje, a capital gaúcha é um símbolo que, nas ruas, nos motiva (e nos gabinetes amedronta os poderosos).

A crise econômica se avizinha de nosso país. O PIB estaciona e a inflação galopa. Mas o que muda no Brasil não é somente a economia. Vemos mudar a disposição de luta da população, com os jovens na vanguarda. Vemos a diferença que faz vivermos um tempo em que, ao entrar no Facebook, compartilhamos fotos em que milhões de pessoas aparecem nas praças da Turquia; vídeos em que centenas de milhares de chilenos lutam pela educação e enfrentam a polícia; fotos de atos em cidades de todo Brasil, com jovens acuando governos e prefeituras, ao mesmo tempo em que, distante das metrópoles, ergue-se de maneira heroica a luta indígena pelo direito à terra e à vida.

ato1

Estamos em tempos de luta. E um fato é consumado: a juventude está confiante. Os que participaram de outras jornadas contra o aumento da tarifa em São Paulo, e agora participam em 2013, percebem a disposição. Algo simples, mas que faz toda diferença: hoje, quando saímos às ruas, estamos menos sozinhos. Sentimos muito mais chance de vencer. Sabemos que nossa força é o motor das mudanças que precisamos. E nada, absolutamente nada, amedronta mais os de cima do que essa convicção. Por isso, com tamanha rapidez, vemos nas páginas dos jornais e telas de tevês a reação vociferante e manipuladora da mídia, tão a serviço de seus donos.  Mas essa própria distorção acaba por nos motivar ainda mais. Saindo das escolas e universidades direto para as ruas, o jovens de São Paulo querem construir uma outra cidade, à altura de seus sonhos, do tamanho das lutas que vemos no mundo, e com a disposição de lutar, lutar e lutar, até abaixar a tarifa.

Eles é que estão com medo. Nós estamos confiantes. Terça-feira será maior.

ato3