Arquivos da categoria: Política

Diário durante a luta das escolas

05 de outubro de 2015

Helen Cristine, Leonardo Mentone e Sophia Tagliaferri de Castro dão o recado: vamos para as ruas para barrar a medida absurda do governador Alckmin contra as escolas!

06 de outubro de 2015

Olha os secundaristas de São Paulo ocupando a Paulista! Emocionante!

08 de outubro de 2015

Todo mundo amanhã às 8h no MASP.

Defender a educação é um princípio. Estar do lado dos estudantes corajosos e não do governador truculento é uma obrigação.

09 de outubro de 2015

É PRECISO CONFIAR NA LUTA DOS ESTUDANTES DAS ESCOLAS DE SÃO PAULO

Há uma extraordinária luta de estudantes de escolas de Ensino Fundamental e Médio da rede pública estadual de São Paulo.

O governo que “reorganizar” as escolas por ciclos. Na realidade, é uma desculpa para fechar escolas, demitir professores e piorar o ensino de todos.

Os estudantes estão lutando por estudar! Quer algo mais justo do que isso? E há uma semana estão acontecendo dezenas de atos por dia em todo o estado, vários só na capital.

Hoje, ocorreu o segundo ato “central”, concentrado no MASP. O ato foi incrível! Mais de 2 mil presentes! Foi emocionante paralisar algumas das ruas mais importantes da cidade, foi emocionante a entrada no túnel da 9 de julho! Antes, a PM tentou acabar com a manifestação, mas não conseguiu. Eles vão mesmo bater em jovens? Aliás, vão bater na luta pela educação? Aliás, será que os filhos deles também não terão escolas fechadas e suas famílias também não estão se ferrando?

Muita gente já está apoiando e muito mais ainda pode apoiar. Muita coisa lembra junho de 2013! Rechaço à PM, aos privilégios dos políticos que contrastam com o descaso com a educação, a vontade dos jovens de tomar as ruas para fazerem o que quiserem e irem para onde quiserem, sem que ninguém possa impedir. Uma disposição de ir até o fim: nenhuma escola pode ser fechada! Não pode passar a (des)organização dos ciclos!

Essas manifestações têm muita força! Alguém tem dúvida de que o governo Alckmin já deve estar assustado? E que vai se assustar MUITO mais se a gente não der nenhum passo para trás – pelo contrário, se a gente for pra cima?

Olha, há alguns anos já não sou estudante de escola… Sou formado na universidade, hoje faço pós-graduação e me preparo para um dia quem sabe ser… Professor. Aliás, de uma disciplina (sociologia) sempre ameaçada de sair dos currículos, pois o governo e as diretorias nunca querem o pensamento crítico nas escolas. Se eu pudesse dizer algo para todos que, assim como eu, já não são estudantes secundaristas (e isso vale para os jovens universitários, para os adultos, trabalhadores, famílias), diria: confiem nesses estudantes “porras-loucas” que estão indo pra rua! Ouçam-nos! Eles têm muito a nos ensinar. Muito mais, talvez, dos que aqueles burocratizados militantes de décadas. Esses jovens representam um tempo novo! Uma nova escola que pode existir e pode ser ao mesmo tempo uma nova sociedade mais justa e de todos.

Vale a pena empenharmos o melhor de nossas energias, a maior de nossas esperanças, para que eles vençam. Recua, Alckmin! Ou então você vai ser atropelado pelos estudantes e pela luta do povo todo pela educação!

09 de outubro de 2015

Fotos do ato de hoje! Foi lindo!

10 de outubro de 2015

Sente o clima!

Vem pra rua, vem!
Contra o Geraldo!

15 de outubro de 2015

15 de OUTUBRO! É POSSÍVEL FAZER ATOS VITORIOSOS NESSA DATA! Secundaristas mais uma vez nos ensinando! Hehe!

16 de outubro de 2015

A MESMA LADAINHA

A postura da grande mídia hoje, após a terceira manifestação exitosa de estudantes secundaristas em São Paulo, é como sempre vergonhosa. Os principais veículos – com destaque para o Estadão, no impresso, Datena e Ratinho, no telejornalismo sensacionalista – estão repercutindo apenas a suposta atuação de black blocs ao final do ato. Com isso, tentam esconder a manifestação espetacular, que teve força para sair do Largo da Batata, parar a Marginal Pinheiros e chegar até o Palácio dos Bandeirantes, com milhares de secundaristas! (Continue lendo).

17 de outubro de 2015

Grande atividade do Juntos! e do Emancipa sobre a (des)organização das escolas em SP.

Não vamos sair das ruas até termos certeza de que nenhuma escola irá fechar e nenhuma escola irá se dividir!

atividade

18 de outubro de 2015

Vídeo de arrepiar, sobre a mobilização que os estudantes secundaristas de SP estão fazendo contra a desorganização das escolas por Alckmin!

21 de outubro de 2015

Mais que nunca, FORA CUNHA!

‪#‎HeterofobiaUmaOva‬ ‪#‎PílulaFicaCunhaSai‬ ‪#‎ContasNaSuíça‬‪#‎CunhaNaCadeia‬

22 de outubro de 2015

Guilherme Boulos, sobre a desorganização escolar de Geraldo Alckmin. Ótimo texto!

26 de outubro de 2015

Governo Geraldo Alckmin acaba de confirmar que seu projeto de “reestruturação” prevê a “entrega” (leia-se: o FECHAMENTO) de 94 escolas em todo Estado de São Paulo!!! Que absurdo! Mesmo com semanas de protestos, o governador segue com seu projeto. Cada vez mais precisamos responder nas ruas a este absurdo! ‪#‎NãoFechemMinhaEscola‬

28 de outubro de 2015

5 mil pessoas nas ruas do Rio de Janeiro pelo Fora Cunha!

É disso que eles (e ELE: este crápula do Eduardo Cunha) têm medo. Vamos repetir este exemplo em São Paulo na sexta-feira. Vamos às ruas contra Eduardo Cunha e em defesa dos nossos direitos!

cunha

29 de outubro de 2015

Vocês vão ter que me engolir! Os tempos mudaram!

Jean Wyllys arrebentou! Utilizou o parlamento do modo como deve fazer um revolucionário: desmoralizando esta casa de pilantras e defendendo a dignidade do povo honesto e das populações oprimidas. Tenho orgulho de ser do mesmo partido do primeiro deputado assumidamente gay do Brasil! (Assista aqui).

01 de novembro de 2015

ISTO E AQUILO
[Ferreira Gullar]

você é seu corpo
sua voz seu osso

você é seu cheiro
e o cheiro do outro

o prazer do beijo
você é seu gozo

o que vai morrer
quando o corpo morra

mas é também aquela
alegria (verso,
melodia)
que, intangível, adeja
acima
do que a morte beija

10 de novembro de 2015

Hoje começou, em São Paulo, o que pode se tornar uma onda de ocupações de escolas, contra a reorganização do Geraldo Alckmin e o descaso com a educação.

Estão ocupadas as escolas estaduais Diadema e Fernão Dias. Nesta, um grande aparato repressivo está ameaçando a ocupação e constrangendo estudantes desde o período da manhã. A PM vai prender crianças que estão lutando para que as escolas não fechem? Que absurdo é este?!

A ocupação de escolas, em outros países, como no Chile, é um método tradicionalíssimo de luta radicalizada pela educação. É um método muito bem vindo no Brasil e em São Paulo. Talvez só assim o Alckmin finalmente ouça os estudantes e as comunidades escolares.

Se a escola fechar, os estudantes vão ocupar. Já estão ocupando!

11 de novembro de 2015

chile

11 de novembro de 2015

Estudantes do Fernão Dias – de arrepiar!

Manifesto lido agora há pouco no portão da escola.

Nossa maior solidariedade é expandir o exemplo desses guerreiros. Vamos por mais ocupações! (Assista ao vídeo).

12 de novembro de 2015

O bonde do Juntos nas Escolas SP está partindo para Brasília, no CONUBES, levando um recado claro! Vamos multiplicar os Fernão Dias por todo Brasil! Vamos ocupar as escolas até que as escolas sejam nossas!

conub

16 de novembro de 2015

Dia 19: ocupar as escolas de todo Brasil. Os estudantes de São Paulo precisam vencer.

16 de novembro de 2015

Tirei a barba para me fantasiar de estudante secundarista. ‪#‎SLK‬‪ #‎NoizJáTáFervendo‬

17 de novembro de 2015

Já tenho meu pedido para o Papai Noel neste ano: banir o WhatsApp da face da terra.

Não posso dizer a ele “por favor, nunca te pedi nada”, pois já pedi muitas coisas quando criança. Mas posso garantir que nunca um pedido foi tão honesto e que fui um ótimo menino ao longo de todo ano.

17 de novembro de 2015

Informe:

Como anunciei hoje à tarde, encaminhei formalmente ao Papai Noel meu pedido de presente para 2015: o fim do WhatsApp. Descolei com meu primo mais novo, num grupo de WhatsApp da família, o número de celular do bom velhinho. Para quem não sabe, hoje ele só recebe pedidos de presente via WhatsApp, que é muito mais prático que as cartas. (Continue lendo).

18 de novembro de 2015

Pro rastilho de pólvora chegar às ETECs, que há muito tempo sofrem nas mãos do Alckmin também. Guaracy é escola de luta!

19 de novembro de 2015

Gavião Peixoto, em Perus, ocupado!

Toda solidariedade é necessária. Na madrugada, a polícia ameaçou fazer todo tipo de ilegalidade, mas resistimos. Agora é erguer mais uma trincheira dos estudantes de luta de SP!

19 de novembro de 2015

Acho que nunca aprendi tanto como na madrugada e na manhã de hoje. Quero aprender ainda muito mais!

Ocupação da escola Gavião Peixoto! A galera secundarista é demais.

‪#‎EscolaDeLuta‬!

19 de novembro de 2015

Manter e ampliar. Aqui no Gavião Peixoto, resistimos até vencer!

19 de novembro de 2015

Põe na conta a maior escola de SP, por favor. Falou, valeu!

19 de novembro de 2015

Bem legal a matéria! 

20 de novembro de 2015

O dia 20 de novembro vive e pulsa também dentro das escolas ocupadas de São Paulo. Na grande maioria, são meninos e meninas negros que estão fazendo história e mostrando na prática: o inimigo é outro.

20 de novembro de 2015

A alegria de receber doação de comida na ocupação. Até sucrilhos! Hehe!

comida

20 de novembro de 2015

A matéria no Jornal Nacional de hoje, sobre as ocupações de escolas em SP, expressa a correlação de forças atual na luta dos estudantes contra Alckmin. A matéria que foi ao ar não é a do tipo predileta da Globo. A Globo, emissora que sempre defende os ricos e seu principal partido (o PSDB), gosta mesmo é de tachar os movimentos de vândalos, baderneiros. Mas a luta dos secundaristas de SP está tão forte, que mesmo essa emissora foi obrigada mostrar o óbvio: a luta dos estudantes é pela melhoria da educação e tem amplíssimo apoio da comunidade. (Continue lendo).

23 de novembro de 2015

100. Incrível.

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23 de novembro de 2015

Estudantes de luta na E. E. Cidade de Hiroshima, na Zona Leste. Assembléia mobilizada!

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24 de novembro de 2015

Laerte, Gregório Duvivier e “Professor Abobrinha” (que hoje é “Mário de Andrade”) visitando a escola Fernão Dias em SP.

Que encontro! Que momento estão vivendo os estudantes secundaristas de SP!

24 de novembro de 2015

Dr. Abobrinha, que hoje é Mário de Andrade.

25 de novembro de 2015

Dce Livre da USP e Gabriela Ferro dando o exemplo: todo movimento estudantil universitário, e todos os cidadãos e cidadãs, devem se levantar em solidariedade aos secundaristas. Recua, Alckmin! (Aqui).

25 de novembro de 2015

Turbilhão.

25 de novembro de 2015

Juntos Nas Escolas acaba de ocupar mais uma escola em SP. A E. E. Eliana Andrés de Almeida Souza, em Itapevi! Orgulho dessa juventude guerreira! Toda solidariedade à ocupação!

26 de novembro de 2015

Orgulho, Beatriz Calderon! (Assista ao vídeo).

26 de novembro de 2015

Entrevista exclusiva feita pelo Juntos nas Escolas com Gregorio Duvivier, numa escola ocupada em SP!

26 de novembro de 2015

Muito mais do que o “textão” no Facebook, está na moda o “audiozão” no WhatsApp! Que sensação única é a de receber um audiozão! Sensação de quem tem o seu dia homeopaticamente estragado. ‪#‎ForaWhatsapp‬

29 de novembro de 2015

Escandaloso o vazamento de áudio!

Que os estudantes resistam e virem este jogo a partir de amanhã. Nojo deste governo, das diretorias por ele manipuladas e do plano de reorganização.

Recua, Alckmin!

30 de novembro de 2015

O que fazer diante do áudio vazado da Secretaria de Estado de Educação de SP? (Link).

30 de novembro de 2015

Que parte da música “O Estado veio quente, nois já tá fervendo” o Alckmin ainda não entendeu?

Avante, secundaristas!

Confio em vocês! Vamos ampliar a solidariedade para essa molecada vencer a queda de braço contra o governador e em defesa da educação. Agora é todo mundo do mesmo lado da trincheira, na guerra contra o Alckmin! Ele quer desafiar?

01 de novembro de 2015

Já é, Arnaldo Antunes!

ja é

01 de dezembro de 2015

Selfie na escola de luta chamada Brigadeiro Gavião Peixoto. Exemplo de mobilização!

02 de dezembro de 2015

SP e o Brasil precisam de um novo junho!

juuu

03 de dezembro de 2015

Prenderam Rapha, Raíssa e dezenas de jovens e menores em SP!

Onde quer chegar?

04 de dezembro de 2015

Ninguém nunca levou tão a sério como os estudantes de SP a palavra de ordem:

Não tem arrego.

Que orgulho!

04 de dezembro de 2015

MEXEU COM ESTUDANTE

SAIU PERDENDO!

DOBRAMOS O ALCKMIN! QUE EMOÇÃO!

05 de dezembro de 2015

decreto

05 de dezembro de 2015

Um desejo: encontrar nosso querido “Padula” e perguntar como está o “dialogômetro” dele no momento. Ou então saber qual balanço ele faz da guerra de guerrilha armada por ele e Alckmin na semana passada contra os estudantes… (Continue lendo).

05 de dezembro de 2015

Vanessa – uma das principais lideranças desta nova geração vencedora de ativistas!

05 de dezembro de 2015

Grandiosa Helen! Secunda de luta!

06 de dezembro de 2015

Estamos apenas começando.

lutaaaa

07 de dezembro de 2015

Chico César presente em escola ocupada! Que emoção!

07 de dezembro de 2015

Há flores em tudo o que eu vejo.

Pitty e Paulo Miklos cantando juntos na escola ocupada em Perus – E. E. Brigadeiro Gavião Peixoto.

Os estudantes entram para a história.

pitty paulo

08 de dezembro de 2015

A carta do Michel Temer à Dilma tem tanta picuinha e baixaria que parece até carta de ruptura de gestão de Centro Acadêmico em universidade. Rs.

‪#‎CartaDoTemer‬

08 de dezembro de 2015

Ainda está difícil processar toda a emoção que vivi ontem na escola Gavião Peixoto! A “Virada Ocupação”, promovida pela ONG Minha Sampa, teve presença de inúmeros artistas e bandas: Pitty, Maria Gadu, Paulo Miklos, Chico César, Karina Buhr, Meta-Meta, Fresno e outros. No pátio da escola, desta vez, além das figuras conhecidas (os estudantes de luta, os professores que apoiam), estavam os “famosos”, que doaram sua arte e sua maravilhosa música à luta dos estudantes. Que fizeram um tributo a eles. (Continue lendo).

08 de dezembro de 2015

APRESENTADORA-DESABAFO

O Jornal Nacional começa noticiando o dia turbulento em Brasília: carta-desabafo que indica ruptura do Vice-Presidente com Dilma, manobras de Cunha contra sua cassação, avanço do impeachment, bate-bocas, palavrões, piquetes, empurra-empurras e até cabeçadas no Congresso Nacional! A apresentadora, Renata Vasconcelos, levanta-se da bancada. Caminha em direção ao telão do estúdio para chamar ao vivo e imediatamente a correspondente em Brasília, Zileide. Já no caminho, afoita, inicia o assunto: “Boa noite, Zileide…” — e é tamanho seu tom de expectativa neste momento, antes de complementar a frase com um “que confusão aí em Brasília, hein!”, que eu chego a pensar por um instante que a apresentadora diria: “Que bafão, hein, miga!!!”

10 de dezembro de 2015

Os secundas de luta estão no Rio de Janeiro!

A luta da tarifa em São Paulo

Uma coisa me chamou a atenção nos dois atos contra o aumento da tarifa em que estive até agora: o apoio popular à causa. É enorme.

Tanto no centro de São Paulo, como ontem, na Zona Leste, foi comum famílias saírem para fora de suas casas e aparecerem nas sacadas dos prédios para nos aplaudir. Até mesmo trabalhadores, no meio do serviço, como ontem os do McDonalds, o fizeram.

A ampla legitimidade dos protestos, que estourou em junho, segue vigente. Via de regra, o povo vibra ao ver os jovens nas ruas. E a causa de não aumentar o preço dos transportes é praticamente consensual. Sobretudo, num momento em que tudo aumenta (e se precariza) – a energia, a água, o imposto, a comida, a gasolina…

Até então, a PM vinha agindo da maneira mais arbitrária e truculenta possível. De modo orquestrado, forjava qualquer incidente isolado para poder massacrar brutalmente o conjunto dos manifestantes. A mídia, bastante mais orquestrada do que em 2013 (assim como estão mais afinados governo, prefeitura e os pelegos que os apoiam), repercutia na medida: maquiava o número real de manifestantes presentes e apenas contribuía, nas notícias, para jogar uma nuvem de fumaça sobre as manifestações. Sem poder defender abertamente a polícia, como antes já fez, ou afirmar que manifestação não é um direito (isso nem mesmo a PM consegue dizer depois de junho), contribuíam para construir uma imagem das manifestações como uma bagunça generalizada, um lugar perigoso em que polícia (truculenta) e manifestantes (vândalos) guerreiam. Não importa quem está certo: importa que quem é são não deve ir para rua. E assim não colocavam em pauta o que deveria estar: Haddad e Alckmin devem revogar imediatamente o aumento. A mídia burguesa é esperta.

Mas, ontem, a manifestação teve começo, meio e fim, e foi muito vitoriosa. Um passo importante.

Acredito que a luta de 2015 contra a tarifa seja bastante mais difícil de vencer do que a de 2013 (embora não impossível). Mas ela é tão importante quanto. Estamos abrindo uma jornada de lutas que será duradoura contra o cenário de ajuste que se impõe no Brasil, ampliado, em São Paulo, pela repressão e pelo caos generalizado nos serviços (vide a água).

Tenho concluído uma coisa simples sobre 2015 até agora: não está fácil ser manifestante (muita atividade e muita repressão). Mas não será fácil ser governante (Alckmin, Dilma, Haddad e todos).

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Alguns ex-colegas uspianos estão na linha de frente da defesa da tese de que o prefeito Haddad (e Alckmin, consequentemente) deve ser poupado pelas manifestações no próximo mês. Isso porque o aumento da tarifa dos transportes para R$3,50 não incidirá sobre 100% da população (supostamente, os mais pobres ficam isentos).

A estes colegas, uma perguntinha: vocês também são a favor de que a USP passe a cobrar mensalidades, mas “só para quem pode pagar”?

O mesmo engodo tucano da “mensalidade só pra quem pode pagar” é o que dá base ao discurso petista para o preço da passagem. É mercantilização dos direitos. Conceder isenção à parcela mais pobre do estudantado (não de toda juventude) é ótimo, assim como é bom congelar o preço do bilhete único mensal, semanal e diário. Mas isso não esconde o fato de que a tarifa passará para R$3,50 – um verdadeiro assalto! Não esconde o fato de que a ampla maioria da população que utiliza o transporte (na forma e na frequência que for) é a população pobre e trabalhadora, que já paga caro por um serviço de péssima qualidade. Não esconde, sobretudo, o fato de que o aumento da tarifa visa a encher, com o dinheiro do povo pobre, o bolso de empresários corruptos, como a auditoria do transporte público demonstrou recentemente. Prefeitura e governo do Estado estão novamente lado a lado, arquitetando as maldades contra a população e, dessa vez, tentando confundir mais o movimento, com o auxílio dos meninos e meninas “progressistas” do prefeito, gente que arrota ser de esquerda, mas gosta mesmo é de um cargo na prefeitura.

(Aparentemente, para alguns ex-colegas da USP, tem feito muita diferença o ordenado que para eles cai no fim do mês, pago pelo prefeito “tranquilão” ou por qualquer parlamentar ou dirigente vendido do Partido dos Trabalhadores. O efeito imediato é a desonestidade ideológica, melhor amiga do peleguismo desavergonhado. Nada muito distinto de 2013, quando também esse pessoal era conivente com o aumento das tarifas – daquela vez, sem mediações -, foi engolido pelas ruas e depois esperneou sobre um suposto “avanço da direita”. Patéticos!)

Podemos

É impossível rechaçar a corrupção sem rechaçar o sistema. A corrupção é o próprio sistema.

A Folha de S. Paulo de hoje traz uma interessante matéria sobre o Podemos, da Espanha. De certo, é um pouco constrangedor, a um dos principais jornais da burguesia brasileira, ter que abordar o assunto. Tentando politizar o mínimo possível o fenômeno, o jornal atribui quase todo o sucesso do partido espanhol ao fato dele ser uma “alternativa aos corruptos”. Sem, contudo, conseguir evitar as palavras: “o Podemos é alheio ao sistema”.

É claro que o jornal sequer aborda o tema de, há mais de 3 anos, a Espanha ser palco de algumas das principais mobilizações de massas do mundo. (Fosse a Folha de São Paulo um periódico espanhol, de certo já haveria escrito, alguns anos atrás, um editorial intitulado “Retomar la Puerta Del Sol”.). Só pode se afirmar verdadeiramente como uma alternativa à corrupção um partido que se ligue às lutas do povo e, principalmente, que proponha um programa que ataque os privilégios da elite econômica. Que ataque o sistema. E, na Espanha, o espanto do povo com os escândalos de corrupção, que se intensificaram há mais de um ano, apenas se somou aos escândalos que vinham de mais tempo, diante da austeridade crescente, da retirada de direitos, dos obscenos despejos de famílias. O povo pobre é mesmo roubado a todo momento, por todos os lados, por corruptos e canalhas de plantão que governam a Espanha e o mundo para seus privilégios de classe. A corrupção desmoraliza esses políticos e seus “castelos”.

No Brasil, espero que a operação Lava Jato vá fundo, e corroa cada vez mais as já podres pilastras que sustentam os palácios em que estão os políticos do PT, PSDB, PMDB e cia. Que a revolta do povo com a corrupção cresça, se somando à revolta diante dos “ajustes”, do novo trio do velho tripé econômico de Dilma-Lula-FHC, da falta d’água de Alckmin, do tarifaços e dos estelionatos eleitorais. Que o povo arranque cada “paralelepípedo” do chão (daqueles plantados por meio dos “acertos” corruptos das empreiteiras) para arremessá-los na cabeça de quem quiser e construir as coisas de outra maneira.

Desde a já distante disputa interna, no PSOL, pela indicação do nome de Luciana Genro à candidata à presidência, me lembro de nossa porta-voz sempre dizer: é preciso atacar o sistema. Atacar o sistema. Também no Brasil, nós Podemos.

Alívio, sim, comemoração, não

Alívio, sim. Comemoração, não.

É impressionante o nível de ignorância e de discurso de ódio de uma parcela do eleitorado do Aécio. Perderam. Também é impressionante o nível de ilusão de uma parcela do eleitorado da Dilma, mesmo após. 12 anos de governo do PT, partido que traiu a classe trabalhadora.

Sou dos que acreditam que as “eleições do marketing” mais escondem do que demonstram. No que realmente importa, PT e PSDB já são e serão cada vez mais aliados. O Aécio do belo crescimento econômico que ilude os paulistas é o que mais traria a austeridade para o Brasil, ou seja, o fracasso econômico. A Dilma da emancipação do nordeste do julgo dos coronéis e da direita é a Dilma que venceu em cima dos palanques de Collor e Sarney. Nas suas mansões, os donos das empreiteiras, dos bancos e das multinacionais estão tranquilos. Vão apenas esperar Dilma festejar sua madrugada no Champagne, e Aécio lamentar-se no Rivotril, para amanhã retomar diálogo com ambos. Eles têm muitos planos pela frente.

A esquerda coerente e radical vai seguir nas ruas.

O PSOL nas eleições

Terminou! A todos amigos e familiares que confiaram no PSOL, obrigado! Valeu a pena. No Brasil, o PSOL ampliou de 3 para 5 sua bancada de deputados federais. E elegemos 12 deputados estaduais.

Em São Paulo, reelegemos Carlos Giannazi com uma votação histórica, e também Ivan Valente. Ampliamos nossa bancada estadual para 2 companheiros, com a eleição de Raul Marcelo!

Thiago Aguiar teve um votação fortíssima e surpreendente, com quase 8 mil votos em sua primeira eleição. Uma campanha de força militante e ideias poderosas.

Mas o melhor de tudo é saber que não começamos, e muito menos terminamos, com as eleições. O PSOL em 2014 vocalizou no processo eleitoral as lutas de junho, as lutas por um país e um mundo melhores de se viver, livres da opressão e da exploração. E construímos um legado coletivo de nome Luciana Genro. O orgulho não cabe no peito.

Viva!

Sobre o debate da Globo nas eleições de 2014

Tanta coisa que eu queria falar sobre o debate de ontem! Mas não tenho tempo para escrever. Pontuo rapidamente apenas o que realmente não posso deixar de falar:

- Levy Fidelix chegou desmoralizado no debate. Seu semblante de nervosismo extremo, quase espumando, era o retrato do fascista quando este se vê acuado pelo resposta daqueles que despreza. A luta LGBT e a consciência, que avança, de uma parcela expressiva dos brasileiros, fez com que a derrota acachapante deste traste no debate da Globo tenha sido um dos processos mais pedagógicos da eleição.

- A política se politizou e se polarizou após junho. Ficaram para trás os debates insossos. As posições ficam mais claras e o espaço para a esquerda se amplia. Everaldo é um fiasco. Eduardo Jorge, em suas inconsistências, insuficiente. Aécio, um charlatão, é desmascarado em série por Luciana Genro. Dilma, comprovando que o espaço se abre à esquerda, é obrigado a vir para este lado (no discurso) sempre que quer se destacar. Mas sua máscara cai diante da primeira pergunta sobre a legalização do abordo (que resposta vergonhosa!) ou das verdades apontadas por Luciana, de que o PT, assim como os tucanos, também privatiza, também se corrompe, também faz alianças com a direita. Marina, desidratando, é a vítima de querer ser o que tenta ser justamente numa eleição mais politizada. Quem não escolhe lado, cai no fosso.

- Mil e uma coisas gostaria de falar sobre a Luciana Genro. Que orgulho! Como, em tão poucos minutos, tanta coisa coube num único debate? Nossa candidata soube falar de dívida pública, taxação de fortunas, legalização das drogas, corrupção, direitos. Conseguiu colocar contra a parede cada um dos três irmãos siameses – Dilma, Marina e Aécio -, além de depenar Fidelix. Teve uma frieza incrível para enfrentar toda tentativa de desestabilização machista! Vejam: logo na primeira pergunta, Levy colocou no centro de um debate “político” o “ex-marido” de Luciana. Em seguida, chamou a candidata do PSOL ao púlpito da Globo de maneira flagrantemente machista, também se referindo a ela como “mocinha”. Aécio, o burguês reacionário, ergueu o dedo em postura de autoridade contra Luciana, ordenando que ela não fosse “leviana”. Mas a candidata do PSOL, calmamente e com autoridade, impôs-se: “Você não levante o dedo pra mim”. Aécio abaixou. E essa cena entrou pra história.

1% é uma ova. 50 no dia 5 de outubro!

1º de outubro de 2013

Faz um ano que ocupamos a reitoria da USP e iniciamos a greve de 2013 – uma das mais fortes dos últimos tempos entre os estudantes. Tenho as melhores lembranças dessa luta que fizemos! Sem dúvida, foi a força de junho de 2013 (à época, tão pertinho de período em que estávamos) que nos tornou capaz de fazer o que fizemos: mais de 50 dias de greve e de ocupação numa experiência única do movimento estudantil. Naqueles meses, até o cansaço que sentíamos parecia diferente, tamanho era o sentimento de luta, de ascenso e possibilidade de vencer! Construímos durante anos e radicalizamos a luta por democracia na USP. Denunciamos a necessidade das eleições diretas, da estatuinte e de mudanças estruturais na universidade. Mobilizamos dezenas de cursos de diferentes campi (o que dizer de São Carlos!) de maneira ampla. O movimento estudantil se democratizou e aprendeu da melhor maneira possível: lutando. Dobramos, por semanas, a espinha do reitor Rodas, da mídia e até mesmo da justiça.

No fim, acabamos por não vencer. Sem dúvidas, pela truculência do governo e da reitoria. Em parte, também pela atuação prejudicial de alguns setores ultra-esquerdistas do movimento. Mas não troco as experiências que tivemos por nada! Tenho certeza de que ganhamos a consciência da sociedade e da universidade com nossa luta. As lições que tiramos foram e são fundamentais para o que seguimos fazendo (como a lição da desocupação e das prisões de João Victor e Inauê, retratos da repressão do Estado e do governo, que são a regra). Tenho certeza de que, em parte, inspiramos funcionários e professores na greve deste ano (que foi ainda mais forte e vitoriosa!). A greve e a ocupação de 2013 nos fizeram mais fortes para a luta, da qual desde então não arredamos o pé, como vimos nas jornadas de mobilização da Copa, ao lado do MTST e, inclusive, agora, de uma forma diferente, nas eleições, esse enorme terreno árido que atravessamos semeando corajosamente o socialismo e a nova política.

Da nossa greve e ocupação de 2013, em particular, não troco por nada a experiência que tive ao lado de uma nova geração de ativistas aguerrida, inteligente e abnegada. São os melhores, porque forjados na luta! Viva a luta por democracia na USP!

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Hipocrisia de Paulo Skaf

O estúpido Paulo Skaf, empresário milionário que agora pretende governar São Paulo, foi o terceiro político, nas eleições de 2014, a pautar as jornadas de junho de 2013 em sua propaganda eleitoral de TV.

Os primeiros a pautar junho, sem dúvida, foram o PSOL e Luciana Genro. Praticamente todos os nossos programas exibem imagens de junho, e buscamos reivindicar, daquelas espetaculares manifestações, o que têm de verdadeiro: um rechaço massivo aos partidos e instituições do sistema, e a busca pela ampliação dos direitos do povo em um novo tipo de democracia – uma democracia real.

A segunda política que pauta, vez ou outra, as manifestações, é Marina. De maneira oportunista, é claro, o que seria comprovado com uma simples pergunta: onde estava Marina em junho? Ninguém sabe. Ao mesmo tempo, onde estava Alckmin, por exemplo, o candidato de Marina ao governo de São Paulo, sabemos muito bem: mandando a Polícia bater no povo.

O povo na rua determinando a política está no DNA do PSOL. Marina se utiliza de maneira oportunista das manifestações. Mas o prêmio da hipocrisia mais enojante ao falar de junho sem dúvida vai pro Skaf – esse empresário milionário, e deplorável, que agora quer governar São Paulo. Fantoche da pior categoria das falsificações de Duda Mendonça.

Pois bem. Como o Skaf, assim como qualquer figura da direita ou dos velhos partidos, não esteve nas ruas em junho (antes, esteve contra as ruas de junho), agora, em seu horário eleitoral, para falar de manifestações, é obrigado a exibir imagens que não são suas. E em duas delas figura claramente a linda faixa “Fora Alckmin”, do Juntos, que empunhamos no histórico dia 17/06!

É claro que não temos nada a ver com isso. Aliás, ficamos com uma pitadinha de orgulho (estávamos lá!) e de raiva (que oportunista!) ao ver as imagens. Se pudéssemos, iríamos amanhã para a frente da FIESP empunhando, dessa vez, não uma, mas duas faixas: de um lado, “Fora Alckmin”, de outro, “NÃO quero Skaf para meu governador!”.

Um ano da avalanche do Brasil nas ruas

17 de junho de 2014. Hoje, completa-se um ano do dia em que saímos às ruas às centenas de milhares, com o país transbordando. Um ano do dia em que derrotamos a repressão, ganhamos a consciência do povo e viramos a maré. Um ano dia em que vimos luzes de prédios e casas piscando, bandeiras do Brasil tremulando e um povo com orgulho de estar nas ruas. Um ano do dia em que humilhamos categoricamente Alckmin, Haddad e todos os grande políticos do país – os mesmos que, hoje, tentam normalizar o cenário e repetir suas velhas fórmulas falidas nas eleições de outubro.

Impossível não lembrar de cada passo daquele processo e dos momentos que antecederam a segunda-feira, 17.  Era impossível para qualquer um de nós prever o que viria. Me lembro dos otimistas apostando em um ato de 30, 40, quem sabe 50 mil em São Paulo. Foram muitos mais! Me lembro do Secretário de Segurança Pública, Fernando Grella, o mesmo que hoje ostenta orgulhosamente a repressão da PM paulista durante da Copa, sendo obrigado a dizer em rede nacional que, naquela data, a Polícia não usaria as “balas de borracha”. Nós expulsamos a PM das ruas.

Um ano depois, nada é como antes. Alguns ficam tristes de, no junho deste ano, o verde-e-amarelo das ruas não ser o da “luta”, mas o da Copa. Mas não há motivo para isso. A consciência não volta atrás. Hoje, se vibramos com a bola e torcemos pelo futebol, já não esquecemos, em contrapartida, dos nossos direitos, da legitimidade da luta, das injustiças que nos circundam e da brutalidade do sistema capitalista que oprime a todos. O futebol e o esporte já não manipulam um povo que acordou e tem consciência. E essa consciência, sem dúvida, está de pé em muito pelo que fomos capazes de fazer naquele dia, e nos dias subsequentes do mais extraordinário junho de nossas vidas.

17 de junho de 2013 segue presente. Presente nas tarifas que caíram. Presente em cada greve que fizemos e nas que faremos. Presente em cada ocupação de reitoria, de terra, de prédio. Presente em cada levante da periferia, em cada revolta negra que multiplica a resistência de Amarildos, Douglas, Cláudias e DGs. Presente no professor, no gari, no rodoviário, no metroviário e no “não tem arrego”. Presente na mulher, na negra, nas LGBTs. Presente nos trabalhadores do MTST, nas suas lições e vitórias. Presente em cada experiência maravilhosa que, sobretudo nós, os jovens, realizamos dia a dia, crescendo, apanhando, rasgando na marra as feridas desse mundo, para criar um outro possível.

O exemplo do 17 de junho de 2013 vai seguir assombrando os de cima, e dando motivação aos de baixo. Quando menos esperarem (ou quando já não puderem conter), estaremos de volta com a avalanche nas ruas. Lutam contra o inevitável os que tentam impedir isto – são os soldados do conservadorismo. E estaremos, numa avalanche, para arrastar ainda mais coisas podres do que já arrastamos da primeira vez. Dando mais um passo para construir um novo homem e uma nova mulher. Uma nova sociedade. Os conservadores e reacionários não podem nos calar. Não podem fechar de modo autoritário um capítulo da história que apenas começa a ser expectorado. Se assim pensam, não aprenderam nada com junho. Não viram que, não podendo com a formiga, não devem atiçar o formigueiro.

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Foto: “A retomada”. Inesquecível chegada do bloco do Juntos à Paulista em 17/06/2013.