Arquivos da categoria: Movimento Estudantil

Diário durante a luta das escolas

05 de outubro de 2015

Helen Cristine, Leonardo Mentone e Sophia Tagliaferri de Castro dão o recado: vamos para as ruas para barrar a medida absurda do governador Alckmin contra as escolas!

06 de outubro de 2015

Olha os secundaristas de São Paulo ocupando a Paulista! Emocionante!

08 de outubro de 2015

Todo mundo amanhã às 8h no MASP.

Defender a educação é um princípio. Estar do lado dos estudantes corajosos e não do governador truculento é uma obrigação.

09 de outubro de 2015

É PRECISO CONFIAR NA LUTA DOS ESTUDANTES DAS ESCOLAS DE SÃO PAULO

Há uma extraordinária luta de estudantes de escolas de Ensino Fundamental e Médio da rede pública estadual de São Paulo.

O governo que “reorganizar” as escolas por ciclos. Na realidade, é uma desculpa para fechar escolas, demitir professores e piorar o ensino de todos.

Os estudantes estão lutando por estudar! Quer algo mais justo do que isso? E há uma semana estão acontecendo dezenas de atos por dia em todo o estado, vários só na capital.

Hoje, ocorreu o segundo ato “central”, concentrado no MASP. O ato foi incrível! Mais de 2 mil presentes! Foi emocionante paralisar algumas das ruas mais importantes da cidade, foi emocionante a entrada no túnel da 9 de julho! Antes, a PM tentou acabar com a manifestação, mas não conseguiu. Eles vão mesmo bater em jovens? Aliás, vão bater na luta pela educação? Aliás, será que os filhos deles também não terão escolas fechadas e suas famílias também não estão se ferrando?

Muita gente já está apoiando e muito mais ainda pode apoiar. Muita coisa lembra junho de 2013! Rechaço à PM, aos privilégios dos políticos que contrastam com o descaso com a educação, a vontade dos jovens de tomar as ruas para fazerem o que quiserem e irem para onde quiserem, sem que ninguém possa impedir. Uma disposição de ir até o fim: nenhuma escola pode ser fechada! Não pode passar a (des)organização dos ciclos!

Essas manifestações têm muita força! Alguém tem dúvida de que o governo Alckmin já deve estar assustado? E que vai se assustar MUITO mais se a gente não der nenhum passo para trás – pelo contrário, se a gente for pra cima?

Olha, há alguns anos já não sou estudante de escola… Sou formado na universidade, hoje faço pós-graduação e me preparo para um dia quem sabe ser… Professor. Aliás, de uma disciplina (sociologia) sempre ameaçada de sair dos currículos, pois o governo e as diretorias nunca querem o pensamento crítico nas escolas. Se eu pudesse dizer algo para todos que, assim como eu, já não são estudantes secundaristas (e isso vale para os jovens universitários, para os adultos, trabalhadores, famílias), diria: confiem nesses estudantes “porras-loucas” que estão indo pra rua! Ouçam-nos! Eles têm muito a nos ensinar. Muito mais, talvez, dos que aqueles burocratizados militantes de décadas. Esses jovens representam um tempo novo! Uma nova escola que pode existir e pode ser ao mesmo tempo uma nova sociedade mais justa e de todos.

Vale a pena empenharmos o melhor de nossas energias, a maior de nossas esperanças, para que eles vençam. Recua, Alckmin! Ou então você vai ser atropelado pelos estudantes e pela luta do povo todo pela educação!

09 de outubro de 2015

Fotos do ato de hoje! Foi lindo!

10 de outubro de 2015

Sente o clima!

Vem pra rua, vem!
Contra o Geraldo!

15 de outubro de 2015

15 de OUTUBRO! É POSSÍVEL FAZER ATOS VITORIOSOS NESSA DATA! Secundaristas mais uma vez nos ensinando! Hehe!

16 de outubro de 2015

A MESMA LADAINHA

A postura da grande mídia hoje, após a terceira manifestação exitosa de estudantes secundaristas em São Paulo, é como sempre vergonhosa. Os principais veículos – com destaque para o Estadão, no impresso, Datena e Ratinho, no telejornalismo sensacionalista – estão repercutindo apenas a suposta atuação de black blocs ao final do ato. Com isso, tentam esconder a manifestação espetacular, que teve força para sair do Largo da Batata, parar a Marginal Pinheiros e chegar até o Palácio dos Bandeirantes, com milhares de secundaristas! (Continue lendo).

17 de outubro de 2015

Grande atividade do Juntos! e do Emancipa sobre a (des)organização das escolas em SP.

Não vamos sair das ruas até termos certeza de que nenhuma escola irá fechar e nenhuma escola irá se dividir!

atividade

18 de outubro de 2015

Vídeo de arrepiar, sobre a mobilização que os estudantes secundaristas de SP estão fazendo contra a desorganização das escolas por Alckmin!

21 de outubro de 2015

Mais que nunca, FORA CUNHA!

‪#‎HeterofobiaUmaOva‬ ‪#‎PílulaFicaCunhaSai‬ ‪#‎ContasNaSuíça‬‪#‎CunhaNaCadeia‬

22 de outubro de 2015

Guilherme Boulos, sobre a desorganização escolar de Geraldo Alckmin. Ótimo texto!

26 de outubro de 2015

Governo Geraldo Alckmin acaba de confirmar que seu projeto de “reestruturação” prevê a “entrega” (leia-se: o FECHAMENTO) de 94 escolas em todo Estado de São Paulo!!! Que absurdo! Mesmo com semanas de protestos, o governador segue com seu projeto. Cada vez mais precisamos responder nas ruas a este absurdo! ‪#‎NãoFechemMinhaEscola‬

28 de outubro de 2015

5 mil pessoas nas ruas do Rio de Janeiro pelo Fora Cunha!

É disso que eles (e ELE: este crápula do Eduardo Cunha) têm medo. Vamos repetir este exemplo em São Paulo na sexta-feira. Vamos às ruas contra Eduardo Cunha e em defesa dos nossos direitos!

cunha

29 de outubro de 2015

Vocês vão ter que me engolir! Os tempos mudaram!

Jean Wyllys arrebentou! Utilizou o parlamento do modo como deve fazer um revolucionário: desmoralizando esta casa de pilantras e defendendo a dignidade do povo honesto e das populações oprimidas. Tenho orgulho de ser do mesmo partido do primeiro deputado assumidamente gay do Brasil! (Assista aqui).

01 de novembro de 2015

ISTO E AQUILO
[Ferreira Gullar]

você é seu corpo
sua voz seu osso

você é seu cheiro
e o cheiro do outro

o prazer do beijo
você é seu gozo

o que vai morrer
quando o corpo morra

mas é também aquela
alegria (verso,
melodia)
que, intangível, adeja
acima
do que a morte beija

10 de novembro de 2015

Hoje começou, em São Paulo, o que pode se tornar uma onda de ocupações de escolas, contra a reorganização do Geraldo Alckmin e o descaso com a educação.

Estão ocupadas as escolas estaduais Diadema e Fernão Dias. Nesta, um grande aparato repressivo está ameaçando a ocupação e constrangendo estudantes desde o período da manhã. A PM vai prender crianças que estão lutando para que as escolas não fechem? Que absurdo é este?!

A ocupação de escolas, em outros países, como no Chile, é um método tradicionalíssimo de luta radicalizada pela educação. É um método muito bem vindo no Brasil e em São Paulo. Talvez só assim o Alckmin finalmente ouça os estudantes e as comunidades escolares.

Se a escola fechar, os estudantes vão ocupar. Já estão ocupando!

11 de novembro de 2015

chile

11 de novembro de 2015

Estudantes do Fernão Dias – de arrepiar!

Manifesto lido agora há pouco no portão da escola.

Nossa maior solidariedade é expandir o exemplo desses guerreiros. Vamos por mais ocupações! (Assista ao vídeo).

12 de novembro de 2015

O bonde do Juntos nas Escolas SP está partindo para Brasília, no CONUBES, levando um recado claro! Vamos multiplicar os Fernão Dias por todo Brasil! Vamos ocupar as escolas até que as escolas sejam nossas!

conub

16 de novembro de 2015

Dia 19: ocupar as escolas de todo Brasil. Os estudantes de São Paulo precisam vencer.

16 de novembro de 2015

Tirei a barba para me fantasiar de estudante secundarista. ‪#‎SLK‬‪ #‎NoizJáTáFervendo‬

17 de novembro de 2015

Já tenho meu pedido para o Papai Noel neste ano: banir o WhatsApp da face da terra.

Não posso dizer a ele “por favor, nunca te pedi nada”, pois já pedi muitas coisas quando criança. Mas posso garantir que nunca um pedido foi tão honesto e que fui um ótimo menino ao longo de todo ano.

17 de novembro de 2015

Informe:

Como anunciei hoje à tarde, encaminhei formalmente ao Papai Noel meu pedido de presente para 2015: o fim do WhatsApp. Descolei com meu primo mais novo, num grupo de WhatsApp da família, o número de celular do bom velhinho. Para quem não sabe, hoje ele só recebe pedidos de presente via WhatsApp, que é muito mais prático que as cartas. (Continue lendo).

18 de novembro de 2015

Pro rastilho de pólvora chegar às ETECs, que há muito tempo sofrem nas mãos do Alckmin também. Guaracy é escola de luta!

19 de novembro de 2015

Gavião Peixoto, em Perus, ocupado!

Toda solidariedade é necessária. Na madrugada, a polícia ameaçou fazer todo tipo de ilegalidade, mas resistimos. Agora é erguer mais uma trincheira dos estudantes de luta de SP!

19 de novembro de 2015

Acho que nunca aprendi tanto como na madrugada e na manhã de hoje. Quero aprender ainda muito mais!

Ocupação da escola Gavião Peixoto! A galera secundarista é demais.

‪#‎EscolaDeLuta‬!

19 de novembro de 2015

Manter e ampliar. Aqui no Gavião Peixoto, resistimos até vencer!

19 de novembro de 2015

Põe na conta a maior escola de SP, por favor. Falou, valeu!

19 de novembro de 2015

Bem legal a matéria! 

20 de novembro de 2015

O dia 20 de novembro vive e pulsa também dentro das escolas ocupadas de São Paulo. Na grande maioria, são meninos e meninas negros que estão fazendo história e mostrando na prática: o inimigo é outro.

20 de novembro de 2015

A alegria de receber doação de comida na ocupação. Até sucrilhos! Hehe!

comida

20 de novembro de 2015

A matéria no Jornal Nacional de hoje, sobre as ocupações de escolas em SP, expressa a correlação de forças atual na luta dos estudantes contra Alckmin. A matéria que foi ao ar não é a do tipo predileta da Globo. A Globo, emissora que sempre defende os ricos e seu principal partido (o PSDB), gosta mesmo é de tachar os movimentos de vândalos, baderneiros. Mas a luta dos secundaristas de SP está tão forte, que mesmo essa emissora foi obrigada mostrar o óbvio: a luta dos estudantes é pela melhoria da educação e tem amplíssimo apoio da comunidade. (Continue lendo).

23 de novembro de 2015

100. Incrível.

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23 de novembro de 2015

Estudantes de luta na E. E. Cidade de Hiroshima, na Zona Leste. Assembléia mobilizada!

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24 de novembro de 2015

Laerte, Gregório Duvivier e “Professor Abobrinha” (que hoje é “Mário de Andrade”) visitando a escola Fernão Dias em SP.

Que encontro! Que momento estão vivendo os estudantes secundaristas de SP!

24 de novembro de 2015

Dr. Abobrinha, que hoje é Mário de Andrade.

25 de novembro de 2015

Dce Livre da USP e Gabriela Ferro dando o exemplo: todo movimento estudantil universitário, e todos os cidadãos e cidadãs, devem se levantar em solidariedade aos secundaristas. Recua, Alckmin! (Aqui).

25 de novembro de 2015

Turbilhão.

25 de novembro de 2015

Juntos Nas Escolas acaba de ocupar mais uma escola em SP. A E. E. Eliana Andrés de Almeida Souza, em Itapevi! Orgulho dessa juventude guerreira! Toda solidariedade à ocupação!

26 de novembro de 2015

Orgulho, Beatriz Calderon! (Assista ao vídeo).

26 de novembro de 2015

Entrevista exclusiva feita pelo Juntos nas Escolas com Gregorio Duvivier, numa escola ocupada em SP!

26 de novembro de 2015

Muito mais do que o “textão” no Facebook, está na moda o “audiozão” no WhatsApp! Que sensação única é a de receber um audiozão! Sensação de quem tem o seu dia homeopaticamente estragado. ‪#‎ForaWhatsapp‬

29 de novembro de 2015

Escandaloso o vazamento de áudio!

Que os estudantes resistam e virem este jogo a partir de amanhã. Nojo deste governo, das diretorias por ele manipuladas e do plano de reorganização.

Recua, Alckmin!

30 de novembro de 2015

O que fazer diante do áudio vazado da Secretaria de Estado de Educação de SP? (Link).

30 de novembro de 2015

Que parte da música “O Estado veio quente, nois já tá fervendo” o Alckmin ainda não entendeu?

Avante, secundaristas!

Confio em vocês! Vamos ampliar a solidariedade para essa molecada vencer a queda de braço contra o governador e em defesa da educação. Agora é todo mundo do mesmo lado da trincheira, na guerra contra o Alckmin! Ele quer desafiar?

01 de novembro de 2015

Já é, Arnaldo Antunes!

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01 de dezembro de 2015

Selfie na escola de luta chamada Brigadeiro Gavião Peixoto. Exemplo de mobilização!

02 de dezembro de 2015

SP e o Brasil precisam de um novo junho!

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03 de dezembro de 2015

Prenderam Rapha, Raíssa e dezenas de jovens e menores em SP!

Onde quer chegar?

04 de dezembro de 2015

Ninguém nunca levou tão a sério como os estudantes de SP a palavra de ordem:

Não tem arrego.

Que orgulho!

04 de dezembro de 2015

MEXEU COM ESTUDANTE

SAIU PERDENDO!

DOBRAMOS O ALCKMIN! QUE EMOÇÃO!

05 de dezembro de 2015

decreto

05 de dezembro de 2015

Um desejo: encontrar nosso querido “Padula” e perguntar como está o “dialogômetro” dele no momento. Ou então saber qual balanço ele faz da guerra de guerrilha armada por ele e Alckmin na semana passada contra os estudantes… (Continue lendo).

05 de dezembro de 2015

Vanessa – uma das principais lideranças desta nova geração vencedora de ativistas!

05 de dezembro de 2015

Grandiosa Helen! Secunda de luta!

06 de dezembro de 2015

Estamos apenas começando.

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07 de dezembro de 2015

Chico César presente em escola ocupada! Que emoção!

07 de dezembro de 2015

Há flores em tudo o que eu vejo.

Pitty e Paulo Miklos cantando juntos na escola ocupada em Perus – E. E. Brigadeiro Gavião Peixoto.

Os estudantes entram para a história.

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08 de dezembro de 2015

A carta do Michel Temer à Dilma tem tanta picuinha e baixaria que parece até carta de ruptura de gestão de Centro Acadêmico em universidade. Rs.

‪#‎CartaDoTemer‬

08 de dezembro de 2015

Ainda está difícil processar toda a emoção que vivi ontem na escola Gavião Peixoto! A “Virada Ocupação”, promovida pela ONG Minha Sampa, teve presença de inúmeros artistas e bandas: Pitty, Maria Gadu, Paulo Miklos, Chico César, Karina Buhr, Meta-Meta, Fresno e outros. No pátio da escola, desta vez, além das figuras conhecidas (os estudantes de luta, os professores que apoiam), estavam os “famosos”, que doaram sua arte e sua maravilhosa música à luta dos estudantes. Que fizeram um tributo a eles. (Continue lendo).

08 de dezembro de 2015

APRESENTADORA-DESABAFO

O Jornal Nacional começa noticiando o dia turbulento em Brasília: carta-desabafo que indica ruptura do Vice-Presidente com Dilma, manobras de Cunha contra sua cassação, avanço do impeachment, bate-bocas, palavrões, piquetes, empurra-empurras e até cabeçadas no Congresso Nacional! A apresentadora, Renata Vasconcelos, levanta-se da bancada. Caminha em direção ao telão do estúdio para chamar ao vivo e imediatamente a correspondente em Brasília, Zileide. Já no caminho, afoita, inicia o assunto: “Boa noite, Zileide…” — e é tamanho seu tom de expectativa neste momento, antes de complementar a frase com um “que confusão aí em Brasília, hein!”, que eu chego a pensar por um instante que a apresentadora diria: “Que bafão, hein, miga!!!”

10 de dezembro de 2015

Os secundas de luta estão no Rio de Janeiro!

1º de outubro de 2013

Faz um ano que ocupamos a reitoria da USP e iniciamos a greve de 2013 – uma das mais fortes dos últimos tempos entre os estudantes. Tenho as melhores lembranças dessa luta que fizemos! Sem dúvida, foi a força de junho de 2013 (à época, tão pertinho de período em que estávamos) que nos tornou capaz de fazer o que fizemos: mais de 50 dias de greve e de ocupação numa experiência única do movimento estudantil. Naqueles meses, até o cansaço que sentíamos parecia diferente, tamanho era o sentimento de luta, de ascenso e possibilidade de vencer! Construímos durante anos e radicalizamos a luta por democracia na USP. Denunciamos a necessidade das eleições diretas, da estatuinte e de mudanças estruturais na universidade. Mobilizamos dezenas de cursos de diferentes campi (o que dizer de São Carlos!) de maneira ampla. O movimento estudantil se democratizou e aprendeu da melhor maneira possível: lutando. Dobramos, por semanas, a espinha do reitor Rodas, da mídia e até mesmo da justiça.

No fim, acabamos por não vencer. Sem dúvidas, pela truculência do governo e da reitoria. Em parte, também pela atuação prejudicial de alguns setores ultra-esquerdistas do movimento. Mas não troco as experiências que tivemos por nada! Tenho certeza de que ganhamos a consciência da sociedade e da universidade com nossa luta. As lições que tiramos foram e são fundamentais para o que seguimos fazendo (como a lição da desocupação e das prisões de João Victor e Inauê, retratos da repressão do Estado e do governo, que são a regra). Tenho certeza de que, em parte, inspiramos funcionários e professores na greve deste ano (que foi ainda mais forte e vitoriosa!). A greve e a ocupação de 2013 nos fizeram mais fortes para a luta, da qual desde então não arredamos o pé, como vimos nas jornadas de mobilização da Copa, ao lado do MTST e, inclusive, agora, de uma forma diferente, nas eleições, esse enorme terreno árido que atravessamos semeando corajosamente o socialismo e a nova política.

Da nossa greve e ocupação de 2013, em particular, não troco por nada a experiência que tive ao lado de uma nova geração de ativistas aguerrida, inteligente e abnegada. São os melhores, porque forjados na luta! Viva a luta por democracia na USP!

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O que significa a direita no movimento estudantil?

Acabei de ler as propostas da chapa “USPInova” para as eleições do DCE da USP. Trata-se de um grupo que aglutina as chapas de direita que concorreram à última eleição, “Evolução USP” e “É USP então”, e as mais antigas, “Reação” e “Reconquista”. Para quem não sabe, foi inclusive uma figura carimbada de todos esses antigos grupos quem fez diretamente a inscrição da USPInova no última dia 28/03, ainda que marotamente não tenha inscrito seu próprio nome na chapa.

É preciso desmistificar esse grupo. O discurso que afirma a “imparcialidade”, o “apartidarismo” e a “competência” sempre esconde algo por trás de si. De início, a vontade é mesmo de escrachar. Quem está há pouco mais de 2 anos no movimento lembra muito bem dessa gente. São os “meninos malufinhos”, os “pastorzinhos” e outros, que, em várias eleições, já tentaram enganar os estudantes. Sempre disseram não ser de partidos, mas não puderam esconder suas fotos ao lado de políticos famosos de direita, inclusive Maluf. Sempre falaram muito em representação discente, mas, quando ocuparam cadeiras nos conselhos, se ajoelharam aos burocratas e foram inclusive condecorados diretamente por Rodas pela fidelidade. Sempre disseram defender os interesses dos estudantes, mas não puderam esconder a vexatória foto do “café com bolachas” com o reitor em 2012. Nas últimas eleições, ainda, sequem indicaram suas cadeiras de RDs a que tinham direito – uma enorme contradição com seu discurso atual!

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Entretanto, sou parte dos que acham que não podemos viver só do passado. Muitos dos que estão hoje na USP sequer conheceram essas figuras ou suas antigas chapas. A estes, então, faço o convite de que leiam o programa da USPInova: http://uspinova.wordpress.com/2014/04/01/divulgadoprograma/. Debater profundamente suas ideias é uma necessidade para demonstrar como, por trás delas, está a intenção de desarmar completamente o DCE e o movimento estudantil e, em nome do “interesse dos estudantes”, prejudicar estes em favor da reitoria, do governo e do status quo. Alguns pontos disso bem rapidamente:

1) A USPInova não quer mudar as coisas, mas mantê-las como estão. Para eles, a USP já é democrática da maneira como ela é hoje. Por isso, o papel dos estudantes não é de se mobilizar, como fizeram em 2013, mas sim de acreditar, negociar e se aliar com o reitor e os membros da burocracia universitária, dentro das próprias instâncias burocráticas da USP, como o Conselho Universitário. Uma primeira contradição nisso é que, em lugares como o CO, os estudantes não têm sequer 10% de representação. Além disso, alguém realmente acredita que é possível melhorar a vida do estudante dizendo amém ao reitor e seus subordinados? Ou será que nossa experiência, de dentro e de fora da USP, demonstra que apenas nossa mobilização pode mudar as coisas? Virar a USP do avesso significa inverter as prioridades da universidade, democratizá-la, colocá-la a serviço de todos, de dentro e de fora da USP, e com seus rumos decididos pelos que estudam e trabalham nela (e não por uma casta burocrática que a suga). Estou convicto que isso só se faz com mobilização.

2) Como consequência do ponto anterior, as respostas da USPInova aos principais fatos de hoje da USP não são nada menos que esdrúxulas! Se há confiança e aliança com o reitor, veja só: eles são favoráveis (isso mesmo: favoráveis) aos cortes de orçamento na USP (!). Quanto à democracia, aplaudem o método escolhido pelo atual reitor de promover mudanças somente por dentro do próprio CO (que a gente lembra o que fez no ano passado). Por fim, o pior: praticamente se calam sobre a EACH. O que é muito estranho, posto que justamente ontem Zago enviou um e-mail aos estudantes da USP, com a linha de pôr “panos quentes” na situação.

3) A partir disso tudo, a concepção de DCE da USPInova é declaradamente “vertical”. O objetivo deles é criar cargos burocráticos para si próprios na entidade. Isso é a cara da direita que busca convencer todos de que os assuntos são sempre “administrativos” e “técnicos”, mantendo por trás disso seus próprios espaços de poder.

Eu penso bem diferente desses caras. Na minha opinião, a USP tem muito o que mudar, e para melhor. Gostaria que algum membro da USPInova olhasse olho no olho de um estudante da EACH e dissesse para ele que a culpa pelo caos na USP-Leste não é da reitoria, mas sim dos estudantes, de seus “movimentos” e “entidades”. Gostaria que alguém deles tentasse convencer um morador do CRUSP ou frequentador do bandejão (conquistas de mobilizações estudantis) de que a mobilização não é importante. E quero vê-los também, é claro, seguindo na eterna tentativa de se vender como “apartidários”, quando, na realidade, estão no colo do pior da direita do país.

Derrotar a USPInova nessas eleições é defender o movimento estudantil e a história do DCE da USP. Assim como fizemos em anos passados. Sobretudo, é dar um nova sova nos mentores do conservadorismo e da reação – em última instância, os mesmos que estão por trás do que de pior vemos na política brasileira cotidiana, e contra o que os jovens cada vez mais se levantam no país.

Na USP, não vai ser diferente. Tenho certeza que a vitória da chapa “Para virar a USP do avesso” será apenas o início de muita luta – sim, de luta, pois é assim que se conquista – em 2014!

Segue o caos na EACH da USP

Os jornais hoje noticiam: está confirmado, as aulas da EACH voltam 2ªf.

Só não se sabe onde.

É um desrespeito sem tamanho! Imagine você nessa situação. No ano passado, uma longa greve como resposta ao grave caso de contaminação do solo da unidade. As atividades voltam ao normal e professores alunos pegam “piolhos do pombo” e entram em contato com “água imprópria”. Em 2014, um novo reitor assume a USP dizendo ter como prioridade resolver o caso da USP-Leste. Começa o ano letivo em toda USP, menos na referida unidade. Na EACH, o reitor promete a volta às aulas para 10/03. Chega a data prometida e o prazo é prorrogado para 24/03. Aproxima-se o prazo novamente e a promessa da reitoria é de que, a qualquer custo, vão voltar as aulas, mas não se sabe onde!

A EACH é a expressão mais clara, na USP, do descaso do governo estadual com a educação. E, em pouco tempo de gestão, o novo reitor, Marco Antônio Zago, já demonstra fazer jus à tradição das reitorias da USP – todas, não à toa, nomeadas diretamente pelo governo. É pura enrolação, falta de democracia e descaso com a comunidade acadêmica. O que o novo reitor domina mesmo é o discurso “técnico”, a falsa imagem do “diálogo” e a habilidade para sangrar o orçamento da USP como nunca antes na história recente da universidade. Bastante confiante – tem 4 anos pela frente, como disse em debate na Calourada dos estudantes – vai desafiando a paciência e a inteligência de todos. O que de fato está mudando com Zago? Me parece que a única saída é ter luta na USP em 2014!

Oportunismo contra Plínio

Alguns oportunistas estão reverberando pelas redes que Plínio de Arruda Sampaio apoia Geraldo Alckmin e José Serra, os tucanos de São Paulo. Tudo baseado numa entrevista um tanto infeliz que o “velho” deu no último domingo à Ilustrada, da Folha. Nela, Plínio faz comentários curtos sobre várias figuras. Os comentários que fez sobre Serra e Alckmin, na minha opinião, são infelizes, não refletem as posições e o programa do PSOL (e só afirma o contrário quem é desonesto) e diferem da própria prática política pública de Plínio, como foi nas eleições de 2010 – o que abre espaço para pensar que Mônica Bergamo não deve ter sido nada generosa na edição da matéria.

Mas para que não se perca o foco e não predomine a nuvem de fumaça e calúnia que tenta criar o oportunismo, quero falar dessa foto: nela, Plínio está numa das mais importantes passeatas de Junho de 2013, apoiando diretamente a luta contra o aumento da tarifa. Com isso, é possível lembrar não somente de toda sua história de luta no Brasil – intocável por qualquer entrevista infeliz -, mas, sobretudo, de um fato importante: nessa mesma data, os que estavam ao lado do “honesto” governador do Estado, Geraldo Alckmin, são justamente os que agora criticam Plínio. O PT de Fernando Haddad, que viajava para Paris ao lado do tucano, orquestrando a repressão e tentativa de desmoralização do movimento no Brasil. Sua militância fiel – essa mesma que agora vocifera pelas redes – não estava nas ruas com a juventude, mas sim apostando na defesa da prefeitura. E assim, aliás, estava o PT não somente nessa ocasião, mas em toda tônica de seus governos: nas opções da política econômica voltada aos banqueiros (que lindo era o amor “honesto” entre Lula e Henrique Meireles!); nas privatizações; na aliança com o agronegócio; na repressão aos movimentos sociais, orquestrada pelo Ministro Cardozo em aliança com Grella, do PSDB; na governabilidade corrupta estabelecida com figuras da ditadura militar, como Maluf, e com o pior da oligarquia do país, como na relação alegre e “honesta” de Dilma com o PMDB.

O PT de hoje é uma farsa. E a tentativa de sua militância de atingir Plínio, além de patética, é uma tentativa de atingir o PSOL. São os mesmos que, no Rio de Janeiro, têm o sinal de alerta ligado em relação a Marcelo Freixo (pois estão mesmo é com Cabral e Paes), e que, pelas redes, já caluniam também Randolfe Rodrigues e Luciana Genro (as figuras do PSOL para as eleições). Para isso, escamoteiam totalmente o fato de que uma coisa é uma entrevista isolada, e outra é uma prática sistemática de governo, a aliança com a grande burguesia, a traição aberta e completa aos trabalhadores e ao ideal socialista. Toda trajetória pública e política de Plínio e do PSOL é de enfrentamento impiedoso com o PSDB. O mesmo já não pode dizer o PT.

Por fim, ainda, alguns setores do esquerdismo também refletem o fato. E, ao lado da chacota oportunista, buscam igualmente desgastar o PSOL, vendo no episódio a oportunidade de afirmar o acerto de suas teses que não têm apelo na sociedade. Para estes companheiros, mais vale disputar alguns poucos de uma vanguarda universitária no Facebook do que construir uma alternativa de esquerda real para o país. E tentam, para isso, ver em Plínio a confirmação do “reformismo”, do “personalismo” e da “capitulação” – uma piada! A contradição é estes próprios companheiros repercutirem, nas redes, alguns dos piores materiais que circulam pela internet, de páginas estalinistas e caluniosas. O afã da auto-proclamação é sempre um veneno e inimigo daqueles que buscam romper os limites da estreiteza política.

Nos orgulha ter no partido figuras como Plínio e outras, com peso de ocupar uma página inteira da Ilustrada da Folha de domingo. Sua entrevista foi infeliz. Discordo dela. Mas o oportunismo, de qualquer ordem, não pode passar sem resposta.

*Publicado no Facebook em 12/03/14, acompanhado de foto de Plínio na manifestação de 13/06/13.

O que pensa o novo reitor sobre a USP-Leste?

O especial da Folha de hoje sobre os 80 anos da USP se esforça em afirmar uma visão de “grande universidade”, espaço dos privilegiados e da excelência. Nas visões expressas no jornal, a USP precisa avançar no “empreendedorismo” (ó palavrinha capciosa!) e nos rankings mundiais, livrando-se para isso, possivelmente, de alguns alunos extras, gente que está sobrando, possivelmente até de alguns cursos ou currículos. No meio de várias reportagens – todas, para mim, bem planejadas -, surge também a entrevista do novo reitor. Ainda despretensiosa, sem dar muitas dicas. Marco Antonio Zago, eleito como surpresa (não era da chapa de Rodas) e como esperança de renovação (ainda que ele e seu vice tenham sido pró-reitores de Rodas). Supostamente, um “apaziguador”. Entretanto, já começa cutucando o movimento estudantil, dizendo que a reivindicação por eleições diretas, no ano passado, não representou a massa dos estudantes.

Na minha opinião, Zago possivelmente pretenda deixar de lado o pior do estilo Rodas de governar – ou, antes, de impor medidas de modo indisfarçadamente autoritário – para que melhor possa avançar nos projetos típicos de elitização, proximidade com o mercado e produtivismo da burocracia universitária. Seu principal discurso de campanha, não à toa, são as graduações, os currículos, a “modernização”, a revisão do acesso e uma série de temas que vira e mexe reaparecem na USP. É claro que tudo isso, em seu palavrório, vem revestido com o verniz da “qualidade”, de melhorar os cursos que são de “todos nós”. Melhorar a qualidade, aprimorar o currículo, aproximar a universidade da sociedade – pautas como essas, se realizadas de maneira efetiva, sem dúvida são dos estudantes. E há muito tempo. Mas serão de fato da reitora? É muito improvável.

Se pudermos nos ater num aspecto concreto, seria interessante perguntar: se a graduação é a grande bandeira de nosso novo reitor, o que pensará ele sobre o caos na EACH? A USP-Leste que, em 2011, sob o pretexto da modernização e da revisão de currículos, esteve sob risco de ter quase 1/3 de suas vagas cortadas, 2 cursos simplesmente extintos, e agora está desalojada pela contaminação do campus? Será um caso importante para o novo reitor ou estará a EACH no departamento de coisas “supérfluas” da USP?

Marco Antônio Zago - São Paulo - 15/01/2014

Trancaço no P1

Acabo de receber a notícia de que os vigilantes da USP estão trancando o P1 da universidade em manifestação.

Me lembrei: após o segundo trancaço de nossa greve, aquele que conquistou negociação imediata, fui “abordado” por alguns deles, no momento em que abríamos novamente o portão, ao final do protesto.

Cheguei a ficar preocupado. Seria perseguição política? Nada. Apoiavam nossa manifestação, haviam ouvido uma entrevista minha no rádio e queriam conversar também sobre suas pautas, categoria explorada e humilhada cotidianamente pelos “coronéis” da USP, na militarização da universidade.

E, agora, vejam: eles “aprenderam” a trancar o P1 conosco. Ou, antes, em termos de greve, piquetes etc., somos nós quem aprendemos com a luta histórica dos trabalhadores, e ajudamos a levá-la adiante.

Todo apoio à luta deles. Nossa greve valeu a pena.

Rodas e Alckmin estão na defensiva

Neste sábado, a Folha de S. Paulo publicou artigo do DCE da USP sobre as mobilizações atuais na universidade.

Nele, deixamos claro: queremos uma USP democrática e com eleições diretas para reitor. É por isso que, hoje, estamos mobilizados. Por isso, de maneira extraordinária, não temos ido às aulas. Nesse momento, fazer política é mais importante do que fazer prova. Ir ao debate, à assembleia, à mobilização, é mais importante do que estar na sala de aula. Por isso, também, estamos dentro da reitoria da maior universidade do Brasil, dando novo significado, com cultura e política, a um espaço que mais costuma se assemelhar aos palácios. Até a Justiça reconheceu a legitimidade de nossa ação e não vamos parar enquanto não houver democracia.

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Entretanto, na Folha de hoje, um fato em especial me chamou atenção: o texto de nosso “oponente”, o economista Marcos Fernandes G. da Silva. Em resposta à pergunta “A USP deve adotar eleição direta para reitor?”, Silva tomou partido pelo “não” e assinou artigo intitulado “Universidade não é nem deve ser democrática”. O texto reproduz o pior tipo de pensamento conservador. Afirma, por exemplo, que a universidade é uma “empresa” e, por isso, não deve ter democracia, mas “meritocracia”. Seu governo não deve ser de todos, mas sim dos “mais educados, a elite” — dito com essas palavras. A cereja do bolo, no final, é a sugestão de que a USP deixe de ser gratuita, numa provocação que tenta tirar o foco da discussão.

Se olhamos o retrato do texto, nos indignamos. Entretanto, para mim, o artigo revela algo superior: um cenário de defensiva política de Rodas, na USP, e de Alckmin, em São Paulo, frente à luta dos estudantes.

O texto de Marcos Fernandes G. da Silva é uma enorme confusão e não apresenta linha política clara. Acaba por atirar para todos os lados. Demonstração disso é o fato do economista mirar, em suas críticas, o Sindicato dos Trabalhadores (SINTUSP), mas não o DCE e os estudantes, hoje legitimados, protagonistas do movimento e com apoio da opinião pública. Ainda pior, no artigo, Marcos Fernandes estufa o peito em defesa da elite e nega ferozmente a democracia na universidade. Mas será fácil sustentar uma opinião como essa hoje em dia? Principalmente depois de junho?

Sem querer, talvez por incompetência (ou falta de mérito), Marcos Fernandes acaba por dar aos estudantes, em seu artigo, um presente: assume que sua posição não é democrática. Hoje, não existe um debate a respeito de serem ou não as eleições diretas democráticas. O que há, por um lado, é o desejo de mudança e transformação, e, por outro, de conservação. Existe os que querem a democracia e os que querem o elitismo, o conservadorismo e a manutenção dos interesses de uma minoria. E essa é uma condição muito importante para a população nos apoiar.

Nosso movimento está em franca ascensão. Mais de 60% dos cursos paralisados. Ocupação da reitoria legitimada, viva e dinâmica. Assembleias massivas. Atos de rua. Debates em quase todos os cantos da USP. Apoio massivo às mobilizações, mesmo em faculdades que costumam se organizar contra elas, como POLI ou FEA. Indicativo de greve dos professores e trabalhadores para semana que vem. Crescimento do sentimento democrático, da consciência e da radicalidade. Na UNICAMP, vitórias estudantis depois das negociações.

Rodas e Alckmin não vão conseguir segurar a barreira até o fim. Vão ter que receber os estudantes, negociar, ceder, entregar os anéis e, ainda assim, tomar cuidado com os dedos. O artigo de Marcos Fernandes, hoje, na Folha, já deixa um cheirinho disso, ainda que seja ácido.

Ninguém mais pode duvidar da força da juventude. Muito menos da força que o sentimento democrático tem quando ganha as ruas. E na terça-feira, 15 de outubro, é nela que estaremos!

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Texto do DCE: http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2013/10/1355575-pedro-serrano-arielli-tavares-e-luisa-davola-diretas-ja.shtml

Texto de Marcos Fernandes: http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2013/10/1355568-marcos-fernandes-g-da-silva-universidade-nao-e-nem-deve-ser-democratica.shtml

É hora de democracia real na USP!

Conforme antecipado pelo site da revista “Veja”, a reitoria da USP prometia anunciar hoje medidas para a democratização da eleição para reitor. No programa “Palavra do Reitor”, na Rádio USP, o reitor João Grandino Rodas pronunciou-se. Começando com um viva à “revolução” de 1932, que segundo o apresentador “buscava a redemocratização do país”, o programa iniciou-se com a vinheta que a Radio Record utilizava na cobertura do conflito mantido pela elite paulista reacionária, que criaria a USP posteriormente. Um começo que serve de alerta: se este é o exemplo e o guia de “democratização” de Rodas, iremos mal.

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Após a louvação dos derrotados de 32, cujo projeto está inscrito na gênese da ainda elitista USP, Rodas passou à simples leitura de ofício já divulgado, no qual não há nenhuma indicação clara de que Rodas esteja disposto a aceitar a medida simples que realmente democratizaria a eleição para reitor na universidade: eleições diretas! Um texto opaco, fugidio, que faz a autopromoção de uma gestão que “cumpriu todos seus compromissos” inclusive no que se refere à “inclusão social” (sic) e aponta para uma reforma a ser discutida no segundo semestre.

Sem afirmar claramente o que pretende, Rodas também afirma ser necessário “contaminar beneficamente” a “eleição de outros segmentos da USP”, no que pode significar sua disposição em interferir na auto-organização das categorias universitárias.

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Para nós, fica o óbvio: o momento é de ofensiva! Após anos, décadas, de luta de estudantes, professores, trabalhadores da USP e suas entidades, Rodas está se sentindo pressionado. Ainda não vemos em perspectiva completa a força das jornadas de junho. Democratizar a universidade e a educação é parte do programa da juventude em luta. Terminar com a USP feudal é nossa obrigação. É hora de luta!

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Ofício de Rodas: http://democracia.usp.br/wp-content/uploads/oficio.pdf

Brilhante Rodas

Na última sexta-feira, finalmente a Comissão Nacional da Verdade saiu dos gabinetes para realizar uma atividade pública, convocando Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel reformado do exército, para depoimento. Reconhecido torturador, assassino de 80 anos de idade, Ustra chegou de bengala e óculos escuros para a audiência e, de cara, abriu mão de seu direito de ficar calado. Num misto de exaltação e autoconfiança, despejou por sobre os membros da Comissão Nacional da Verdade uma coleção de barbaridades e afirmações criminosas, clichês da direita reacionária e fascista brasileira. Até para a presidenta Dilma — hoje tão chegada aos expoentes da antiga ARENA, como Guilherme Afif Domingos — sobrou. E, certo da impunidade predominante, defendeu ferrenhamente seus trabalhos à frente do DOI-Codi, órgão de repressão do regime militar que comandou entre 1970 e 1975.

Ouvir Brilhante Ustra é um convite à revolta para qualquer pessoa que preserve um espírito minimamente democrático e, até certo ponto, humano, no período que vivemos. A audiência pública demonstrou, por um lado, que iniciativas simples da Comissão Nacional da Verdade, desde que mais políticas e menos burocráticas, podem, de maneira forte, explicitar verdades escandalosas até hoje ocultas e impunes. Demonstrou, ao mesmo tempo, entretanto, que somente a atual comissão  — uma verdadeira Comissão do Possível, subserviente aos mandos da governabilidade de Dilma — pode ser capaz de ignorar a necessidade da justiça no Brasil. Diferentemente de países vizinhos, como Uruguai, Chile e Argentina, em nosso país torturadores seguem tranquilamente suas vidas, com direito a usar bengalas, óculos escuros, gritar e esmurrar mesas em audiências públicas. E o poder burguês — empresarial, político, militar e ideológico — permanece intacto, alojado no Estado e no posto de comando do país, dessa vez aliado vexatoriamente à antiga “esquerda”.

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É interessante que o depoimento de Brilhante Ustra tenha acontecido na mesma semana em que, na USP, o reitor Rodas aplicou um verdadeiro golpe na Comissão da Verdade local. Há mais de um ano, professores, funcionários e estudantes, mobilizavam-se pela instalação de uma Comissão da Verdade democrática na USP, composta por membros eleitos a partir das três categorias da universidade. Diante da mobilização, no início do ano, a reitoria aceitou a proposta do movimento e abriu negociações. A partir disso, professores, funcionários e estudantes elegeram seus representantes. Mas nesta terça-feira, 07/05, da noite para o dia, Rodas simplesmente baixou uma portaria, escrita de seu próprio punho, instalando imediatamente uma Comissão da Verdade com parâmetros, funcionamento e composição delimitados por si próprio. Um golpe escandaloso!

O fato demonstra de maneira clara que, para a reitoria, investigar o passado da USP é algo intolerável. Escancarar as relações entre universidade e ditadura militar — dentro da qual o atual reitor pode ter sua parcela de protagonismo — significa tocar numa ferida não cicatrizada. Significa demonstrar que a transição democrática na USP, de fato, nunca se efetivou. E que uma série de heranças do período militar seguem presentes, como o Regimento Disciplinar de 1972 e a estrutura de poder da universidade, em que se destaca a bizarra maneira como os reitores são eleitos. Por isso, assim como no caso nacional, a Comissão da Verdade da USP, para Rodas, não pode ir além de uma Comissão do Possível. Caso contrário, seus interesses e seu poder podem ser atingidos no cerne — é um perigo sem tamanho o movimento social ter em suas mãos os papéis oficiais da universidade.

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Por isso, na última terça-feira, de maneira desavergonhada, utilizou-se Rodas de seu método preferido para com os movimentos sociais: o golpe, a canetada, a decisão autoritária vinda de cima e enfiada goela abaixo da grande maioria da comunidade universitária — like a Rodas. Não é possível tolerar. A luta por democracia na USP, empalmada pelo movimento estudantil , demonstra-se cada vez mais acertada, necessária e urgente.