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A luta da tarifa em São Paulo

Uma coisa me chamou a atenção nos dois atos contra o aumento da tarifa em que estive até agora: o apoio popular à causa. É enorme.

Tanto no centro de São Paulo, como ontem, na Zona Leste, foi comum famílias saírem para fora de suas casas e aparecerem nas sacadas dos prédios para nos aplaudir. Até mesmo trabalhadores, no meio do serviço, como ontem os do McDonalds, o fizeram.

A ampla legitimidade dos protestos, que estourou em junho, segue vigente. Via de regra, o povo vibra ao ver os jovens nas ruas. E a causa de não aumentar o preço dos transportes é praticamente consensual. Sobretudo, num momento em que tudo aumenta (e se precariza) – a energia, a água, o imposto, a comida, a gasolina…

Até então, a PM vinha agindo da maneira mais arbitrária e truculenta possível. De modo orquestrado, forjava qualquer incidente isolado para poder massacrar brutalmente o conjunto dos manifestantes. A mídia, bastante mais orquestrada do que em 2013 (assim como estão mais afinados governo, prefeitura e os pelegos que os apoiam), repercutia na medida: maquiava o número real de manifestantes presentes e apenas contribuía, nas notícias, para jogar uma nuvem de fumaça sobre as manifestações. Sem poder defender abertamente a polícia, como antes já fez, ou afirmar que manifestação não é um direito (isso nem mesmo a PM consegue dizer depois de junho), contribuíam para construir uma imagem das manifestações como uma bagunça generalizada, um lugar perigoso em que polícia (truculenta) e manifestantes (vândalos) guerreiam. Não importa quem está certo: importa que quem é são não deve ir para rua. E assim não colocavam em pauta o que deveria estar: Haddad e Alckmin devem revogar imediatamente o aumento. A mídia burguesa é esperta.

Mas, ontem, a manifestação teve começo, meio e fim, e foi muito vitoriosa. Um passo importante.

Acredito que a luta de 2015 contra a tarifa seja bastante mais difícil de vencer do que a de 2013 (embora não impossível). Mas ela é tão importante quanto. Estamos abrindo uma jornada de lutas que será duradoura contra o cenário de ajuste que se impõe no Brasil, ampliado, em São Paulo, pela repressão e pelo caos generalizado nos serviços (vide a água).

Tenho concluído uma coisa simples sobre 2015 até agora: não está fácil ser manifestante (muita atividade e muita repressão). Mas não será fácil ser governante (Alckmin, Dilma, Haddad e todos).

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Paulo Henrique Amorim

Paulo Henrique Amorim é um governista desavergonhado e vendido. Um desonesto. Um jornalistazinho mequetrefe e pilantra que veicula mentiras a serviço do governo federal. Hoje, o que o separa de figuras como Reinaldo Azevedo ou Diogo Mainardi é tão somente o fato de Amorim ser petista, enquanto os outros são tucanos.

Sua última pérola é classificar, abertamente, os protestos contra a Copa como um “movimento terrorista”. Nas “navalhas” de seu blog (comentários breves feitos após a publicação de uma notícia), o jornalista ainda se pergunta: “onde está o Ministro Zé da Justiça?”, “Cadê a Guarda Nacional de Segurança?”. E eu me perguntaria: é um jornalista petista, “progressista” e que luta contra o “PIG” (Partido da Imprensa Golpista) quem fala, ou será um José Luiz Datena esbravejando, um Paulo Maluf clamando pela ROTA?

Os absurdos de Paulo Henrique Amorim visam preparar o terreno para que o pútrido Senado Brasileiro aprove justamente um projeto que tipifica o “terrorismo” (contra manifestantes), como já vem sendo proposto pelos senadores Marcelo Crivella (PRB), Ana Amélia (PP) e Walter Pinheiro (PT).

A verdade é que Paulo Henrique Amorim mereceria ser recebido pela porta da frente no tão difamado “PIG” de seus opositores — gente suja igual a si próprio.

Navalha

Fabrício Proteus Nunes Fonseca Mendonça Chavez

Ele tem 22 anos, como eu e muitos de vocês. É estudante ETEC Getúlio Vargas. E neste momento está em coma por ter sido covardemente baleado por PMs na brutal repressão ao ato contra a Copa, no sábado. Um tiro no peito e outro na virilha. Minutos e mais minutos até ser levado ao hospital. E desses bandidos fardados, a Polícia, a justificativa é uma verdadeira afronta a todos nós: Fabrício possuía um estilete e “resistiu” à prisão. Como assim?! Um estilete versus dois tiros? Quem são esses bandidos que estavam sem identificação no momento desse absurdo? O que passa pela cabeça do chefe dessa Polícia, o governador do Estado, que hoje justifica as ações na imprensa? Daqui a pouco, é possível que a PM de São Paulo promova extermínios em massa contra crianças que portem estilingues nas praças! É ultrajante!

128 pessoas foram presas no ato de sábado. De todos os perfis, idades e profissões. Poderíamos ser eu, você, seu amigo, nosso parente. E o que as une é algo muito simples, que jamais pode ser tratado com base no porrete: protestar na rua contra as injustiças, em especial as várias promovidas pela Copa. E a Polícia e o governo, mais uma vez, cometem “exageros”. O que eu quero é ver cada um dos tiros que atingiu Fabrício saindo pela culatra desses pilantras!

“Fabrício é um cara calmo, que começou a ir às ruas em junho, por achar errado aumentarem a tarifa do transporte”, disse Gabriel, seu irmão. Somos todos Fabrício.