Arquivos da categoria: São Paulo

Diário durante a luta das escolas

05 de outubro de 2015

Helen Cristine, Leonardo Mentone e Sophia Tagliaferri de Castro dão o recado: vamos para as ruas para barrar a medida absurda do governador Alckmin contra as escolas!

06 de outubro de 2015

Olha os secundaristas de São Paulo ocupando a Paulista! Emocionante!

08 de outubro de 2015

Todo mundo amanhã às 8h no MASP.

Defender a educação é um princípio. Estar do lado dos estudantes corajosos e não do governador truculento é uma obrigação.

09 de outubro de 2015

É PRECISO CONFIAR NA LUTA DOS ESTUDANTES DAS ESCOLAS DE SÃO PAULO

Há uma extraordinária luta de estudantes de escolas de Ensino Fundamental e Médio da rede pública estadual de São Paulo.

O governo que “reorganizar” as escolas por ciclos. Na realidade, é uma desculpa para fechar escolas, demitir professores e piorar o ensino de todos.

Os estudantes estão lutando por estudar! Quer algo mais justo do que isso? E há uma semana estão acontecendo dezenas de atos por dia em todo o estado, vários só na capital.

Hoje, ocorreu o segundo ato “central”, concentrado no MASP. O ato foi incrível! Mais de 2 mil presentes! Foi emocionante paralisar algumas das ruas mais importantes da cidade, foi emocionante a entrada no túnel da 9 de julho! Antes, a PM tentou acabar com a manifestação, mas não conseguiu. Eles vão mesmo bater em jovens? Aliás, vão bater na luta pela educação? Aliás, será que os filhos deles também não terão escolas fechadas e suas famílias também não estão se ferrando?

Muita gente já está apoiando e muito mais ainda pode apoiar. Muita coisa lembra junho de 2013! Rechaço à PM, aos privilégios dos políticos que contrastam com o descaso com a educação, a vontade dos jovens de tomar as ruas para fazerem o que quiserem e irem para onde quiserem, sem que ninguém possa impedir. Uma disposição de ir até o fim: nenhuma escola pode ser fechada! Não pode passar a (des)organização dos ciclos!

Essas manifestações têm muita força! Alguém tem dúvida de que o governo Alckmin já deve estar assustado? E que vai se assustar MUITO mais se a gente não der nenhum passo para trás – pelo contrário, se a gente for pra cima?

Olha, há alguns anos já não sou estudante de escola… Sou formado na universidade, hoje faço pós-graduação e me preparo para um dia quem sabe ser… Professor. Aliás, de uma disciplina (sociologia) sempre ameaçada de sair dos currículos, pois o governo e as diretorias nunca querem o pensamento crítico nas escolas. Se eu pudesse dizer algo para todos que, assim como eu, já não são estudantes secundaristas (e isso vale para os jovens universitários, para os adultos, trabalhadores, famílias), diria: confiem nesses estudantes “porras-loucas” que estão indo pra rua! Ouçam-nos! Eles têm muito a nos ensinar. Muito mais, talvez, dos que aqueles burocratizados militantes de décadas. Esses jovens representam um tempo novo! Uma nova escola que pode existir e pode ser ao mesmo tempo uma nova sociedade mais justa e de todos.

Vale a pena empenharmos o melhor de nossas energias, a maior de nossas esperanças, para que eles vençam. Recua, Alckmin! Ou então você vai ser atropelado pelos estudantes e pela luta do povo todo pela educação!

09 de outubro de 2015

Fotos do ato de hoje! Foi lindo!

10 de outubro de 2015

Sente o clima!

Vem pra rua, vem!
Contra o Geraldo!

15 de outubro de 2015

15 de OUTUBRO! É POSSÍVEL FAZER ATOS VITORIOSOS NESSA DATA! Secundaristas mais uma vez nos ensinando! Hehe!

16 de outubro de 2015

A MESMA LADAINHA

A postura da grande mídia hoje, após a terceira manifestação exitosa de estudantes secundaristas em São Paulo, é como sempre vergonhosa. Os principais veículos – com destaque para o Estadão, no impresso, Datena e Ratinho, no telejornalismo sensacionalista – estão repercutindo apenas a suposta atuação de black blocs ao final do ato. Com isso, tentam esconder a manifestação espetacular, que teve força para sair do Largo da Batata, parar a Marginal Pinheiros e chegar até o Palácio dos Bandeirantes, com milhares de secundaristas! (Continue lendo).

17 de outubro de 2015

Grande atividade do Juntos! e do Emancipa sobre a (des)organização das escolas em SP.

Não vamos sair das ruas até termos certeza de que nenhuma escola irá fechar e nenhuma escola irá se dividir!

atividade

18 de outubro de 2015

Vídeo de arrepiar, sobre a mobilização que os estudantes secundaristas de SP estão fazendo contra a desorganização das escolas por Alckmin!

21 de outubro de 2015

Mais que nunca, FORA CUNHA!

‪#‎HeterofobiaUmaOva‬ ‪#‎PílulaFicaCunhaSai‬ ‪#‎ContasNaSuíça‬‪#‎CunhaNaCadeia‬

22 de outubro de 2015

Guilherme Boulos, sobre a desorganização escolar de Geraldo Alckmin. Ótimo texto!

26 de outubro de 2015

Governo Geraldo Alckmin acaba de confirmar que seu projeto de “reestruturação” prevê a “entrega” (leia-se: o FECHAMENTO) de 94 escolas em todo Estado de São Paulo!!! Que absurdo! Mesmo com semanas de protestos, o governador segue com seu projeto. Cada vez mais precisamos responder nas ruas a este absurdo! ‪#‎NãoFechemMinhaEscola‬

28 de outubro de 2015

5 mil pessoas nas ruas do Rio de Janeiro pelo Fora Cunha!

É disso que eles (e ELE: este crápula do Eduardo Cunha) têm medo. Vamos repetir este exemplo em São Paulo na sexta-feira. Vamos às ruas contra Eduardo Cunha e em defesa dos nossos direitos!

cunha

29 de outubro de 2015

Vocês vão ter que me engolir! Os tempos mudaram!

Jean Wyllys arrebentou! Utilizou o parlamento do modo como deve fazer um revolucionário: desmoralizando esta casa de pilantras e defendendo a dignidade do povo honesto e das populações oprimidas. Tenho orgulho de ser do mesmo partido do primeiro deputado assumidamente gay do Brasil! (Assista aqui).

01 de novembro de 2015

ISTO E AQUILO
[Ferreira Gullar]

você é seu corpo
sua voz seu osso

você é seu cheiro
e o cheiro do outro

o prazer do beijo
você é seu gozo

o que vai morrer
quando o corpo morra

mas é também aquela
alegria (verso,
melodia)
que, intangível, adeja
acima
do que a morte beija

10 de novembro de 2015

Hoje começou, em São Paulo, o que pode se tornar uma onda de ocupações de escolas, contra a reorganização do Geraldo Alckmin e o descaso com a educação.

Estão ocupadas as escolas estaduais Diadema e Fernão Dias. Nesta, um grande aparato repressivo está ameaçando a ocupação e constrangendo estudantes desde o período da manhã. A PM vai prender crianças que estão lutando para que as escolas não fechem? Que absurdo é este?!

A ocupação de escolas, em outros países, como no Chile, é um método tradicionalíssimo de luta radicalizada pela educação. É um método muito bem vindo no Brasil e em São Paulo. Talvez só assim o Alckmin finalmente ouça os estudantes e as comunidades escolares.

Se a escola fechar, os estudantes vão ocupar. Já estão ocupando!

11 de novembro de 2015

chile

11 de novembro de 2015

Estudantes do Fernão Dias – de arrepiar!

Manifesto lido agora há pouco no portão da escola.

Nossa maior solidariedade é expandir o exemplo desses guerreiros. Vamos por mais ocupações! (Assista ao vídeo).

12 de novembro de 2015

O bonde do Juntos nas Escolas SP está partindo para Brasília, no CONUBES, levando um recado claro! Vamos multiplicar os Fernão Dias por todo Brasil! Vamos ocupar as escolas até que as escolas sejam nossas!

conub

16 de novembro de 2015

Dia 19: ocupar as escolas de todo Brasil. Os estudantes de São Paulo precisam vencer.

16 de novembro de 2015

Tirei a barba para me fantasiar de estudante secundarista. ‪#‎SLK‬‪ #‎NoizJáTáFervendo‬

17 de novembro de 2015

Já tenho meu pedido para o Papai Noel neste ano: banir o WhatsApp da face da terra.

Não posso dizer a ele “por favor, nunca te pedi nada”, pois já pedi muitas coisas quando criança. Mas posso garantir que nunca um pedido foi tão honesto e que fui um ótimo menino ao longo de todo ano.

17 de novembro de 2015

Informe:

Como anunciei hoje à tarde, encaminhei formalmente ao Papai Noel meu pedido de presente para 2015: o fim do WhatsApp. Descolei com meu primo mais novo, num grupo de WhatsApp da família, o número de celular do bom velhinho. Para quem não sabe, hoje ele só recebe pedidos de presente via WhatsApp, que é muito mais prático que as cartas. (Continue lendo).

18 de novembro de 2015

Pro rastilho de pólvora chegar às ETECs, que há muito tempo sofrem nas mãos do Alckmin também. Guaracy é escola de luta!

19 de novembro de 2015

Gavião Peixoto, em Perus, ocupado!

Toda solidariedade é necessária. Na madrugada, a polícia ameaçou fazer todo tipo de ilegalidade, mas resistimos. Agora é erguer mais uma trincheira dos estudantes de luta de SP!

19 de novembro de 2015

Acho que nunca aprendi tanto como na madrugada e na manhã de hoje. Quero aprender ainda muito mais!

Ocupação da escola Gavião Peixoto! A galera secundarista é demais.

‪#‎EscolaDeLuta‬!

19 de novembro de 2015

Manter e ampliar. Aqui no Gavião Peixoto, resistimos até vencer!

19 de novembro de 2015

Põe na conta a maior escola de SP, por favor. Falou, valeu!

19 de novembro de 2015

Bem legal a matéria! 

20 de novembro de 2015

O dia 20 de novembro vive e pulsa também dentro das escolas ocupadas de São Paulo. Na grande maioria, são meninos e meninas negros que estão fazendo história e mostrando na prática: o inimigo é outro.

20 de novembro de 2015

A alegria de receber doação de comida na ocupação. Até sucrilhos! Hehe!

comida

20 de novembro de 2015

A matéria no Jornal Nacional de hoje, sobre as ocupações de escolas em SP, expressa a correlação de forças atual na luta dos estudantes contra Alckmin. A matéria que foi ao ar não é a do tipo predileta da Globo. A Globo, emissora que sempre defende os ricos e seu principal partido (o PSDB), gosta mesmo é de tachar os movimentos de vândalos, baderneiros. Mas a luta dos secundaristas de SP está tão forte, que mesmo essa emissora foi obrigada mostrar o óbvio: a luta dos estudantes é pela melhoria da educação e tem amplíssimo apoio da comunidade. (Continue lendo).

23 de novembro de 2015

100. Incrível.

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23 de novembro de 2015

Estudantes de luta na E. E. Cidade de Hiroshima, na Zona Leste. Assembléia mobilizada!

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24 de novembro de 2015

Laerte, Gregório Duvivier e “Professor Abobrinha” (que hoje é “Mário de Andrade”) visitando a escola Fernão Dias em SP.

Que encontro! Que momento estão vivendo os estudantes secundaristas de SP!

24 de novembro de 2015

Dr. Abobrinha, que hoje é Mário de Andrade.

25 de novembro de 2015

Dce Livre da USP e Gabriela Ferro dando o exemplo: todo movimento estudantil universitário, e todos os cidadãos e cidadãs, devem se levantar em solidariedade aos secundaristas. Recua, Alckmin! (Aqui).

25 de novembro de 2015

Turbilhão.

25 de novembro de 2015

Juntos Nas Escolas acaba de ocupar mais uma escola em SP. A E. E. Eliana Andrés de Almeida Souza, em Itapevi! Orgulho dessa juventude guerreira! Toda solidariedade à ocupação!

26 de novembro de 2015

Orgulho, Beatriz Calderon! (Assista ao vídeo).

26 de novembro de 2015

Entrevista exclusiva feita pelo Juntos nas Escolas com Gregorio Duvivier, numa escola ocupada em SP!

26 de novembro de 2015

Muito mais do que o “textão” no Facebook, está na moda o “audiozão” no WhatsApp! Que sensação única é a de receber um audiozão! Sensação de quem tem o seu dia homeopaticamente estragado. ‪#‎ForaWhatsapp‬

29 de novembro de 2015

Escandaloso o vazamento de áudio!

Que os estudantes resistam e virem este jogo a partir de amanhã. Nojo deste governo, das diretorias por ele manipuladas e do plano de reorganização.

Recua, Alckmin!

30 de novembro de 2015

O que fazer diante do áudio vazado da Secretaria de Estado de Educação de SP? (Link).

30 de novembro de 2015

Que parte da música “O Estado veio quente, nois já tá fervendo” o Alckmin ainda não entendeu?

Avante, secundaristas!

Confio em vocês! Vamos ampliar a solidariedade para essa molecada vencer a queda de braço contra o governador e em defesa da educação. Agora é todo mundo do mesmo lado da trincheira, na guerra contra o Alckmin! Ele quer desafiar?

01 de novembro de 2015

Já é, Arnaldo Antunes!

ja é

01 de dezembro de 2015

Selfie na escola de luta chamada Brigadeiro Gavião Peixoto. Exemplo de mobilização!

02 de dezembro de 2015

SP e o Brasil precisam de um novo junho!

juuu

03 de dezembro de 2015

Prenderam Rapha, Raíssa e dezenas de jovens e menores em SP!

Onde quer chegar?

04 de dezembro de 2015

Ninguém nunca levou tão a sério como os estudantes de SP a palavra de ordem:

Não tem arrego.

Que orgulho!

04 de dezembro de 2015

MEXEU COM ESTUDANTE

SAIU PERDENDO!

DOBRAMOS O ALCKMIN! QUE EMOÇÃO!

05 de dezembro de 2015

decreto

05 de dezembro de 2015

Um desejo: encontrar nosso querido “Padula” e perguntar como está o “dialogômetro” dele no momento. Ou então saber qual balanço ele faz da guerra de guerrilha armada por ele e Alckmin na semana passada contra os estudantes… (Continue lendo).

05 de dezembro de 2015

Vanessa – uma das principais lideranças desta nova geração vencedora de ativistas!

05 de dezembro de 2015

Grandiosa Helen! Secunda de luta!

06 de dezembro de 2015

Estamos apenas começando.

lutaaaa

07 de dezembro de 2015

Chico César presente em escola ocupada! Que emoção!

07 de dezembro de 2015

Há flores em tudo o que eu vejo.

Pitty e Paulo Miklos cantando juntos na escola ocupada em Perus – E. E. Brigadeiro Gavião Peixoto.

Os estudantes entram para a história.

pitty paulo

08 de dezembro de 2015

A carta do Michel Temer à Dilma tem tanta picuinha e baixaria que parece até carta de ruptura de gestão de Centro Acadêmico em universidade. Rs.

‪#‎CartaDoTemer‬

08 de dezembro de 2015

Ainda está difícil processar toda a emoção que vivi ontem na escola Gavião Peixoto! A “Virada Ocupação”, promovida pela ONG Minha Sampa, teve presença de inúmeros artistas e bandas: Pitty, Maria Gadu, Paulo Miklos, Chico César, Karina Buhr, Meta-Meta, Fresno e outros. No pátio da escola, desta vez, além das figuras conhecidas (os estudantes de luta, os professores que apoiam), estavam os “famosos”, que doaram sua arte e sua maravilhosa música à luta dos estudantes. Que fizeram um tributo a eles. (Continue lendo).

08 de dezembro de 2015

APRESENTADORA-DESABAFO

O Jornal Nacional começa noticiando o dia turbulento em Brasília: carta-desabafo que indica ruptura do Vice-Presidente com Dilma, manobras de Cunha contra sua cassação, avanço do impeachment, bate-bocas, palavrões, piquetes, empurra-empurras e até cabeçadas no Congresso Nacional! A apresentadora, Renata Vasconcelos, levanta-se da bancada. Caminha em direção ao telão do estúdio para chamar ao vivo e imediatamente a correspondente em Brasília, Zileide. Já no caminho, afoita, inicia o assunto: “Boa noite, Zileide…” — e é tamanho seu tom de expectativa neste momento, antes de complementar a frase com um “que confusão aí em Brasília, hein!”, que eu chego a pensar por um instante que a apresentadora diria: “Que bafão, hein, miga!!!”

10 de dezembro de 2015

Os secundas de luta estão no Rio de Janeiro!

A luta da tarifa em São Paulo

Uma coisa me chamou a atenção nos dois atos contra o aumento da tarifa em que estive até agora: o apoio popular à causa. É enorme.

Tanto no centro de São Paulo, como ontem, na Zona Leste, foi comum famílias saírem para fora de suas casas e aparecerem nas sacadas dos prédios para nos aplaudir. Até mesmo trabalhadores, no meio do serviço, como ontem os do McDonalds, o fizeram.

A ampla legitimidade dos protestos, que estourou em junho, segue vigente. Via de regra, o povo vibra ao ver os jovens nas ruas. E a causa de não aumentar o preço dos transportes é praticamente consensual. Sobretudo, num momento em que tudo aumenta (e se precariza) – a energia, a água, o imposto, a comida, a gasolina…

Até então, a PM vinha agindo da maneira mais arbitrária e truculenta possível. De modo orquestrado, forjava qualquer incidente isolado para poder massacrar brutalmente o conjunto dos manifestantes. A mídia, bastante mais orquestrada do que em 2013 (assim como estão mais afinados governo, prefeitura e os pelegos que os apoiam), repercutia na medida: maquiava o número real de manifestantes presentes e apenas contribuía, nas notícias, para jogar uma nuvem de fumaça sobre as manifestações. Sem poder defender abertamente a polícia, como antes já fez, ou afirmar que manifestação não é um direito (isso nem mesmo a PM consegue dizer depois de junho), contribuíam para construir uma imagem das manifestações como uma bagunça generalizada, um lugar perigoso em que polícia (truculenta) e manifestantes (vândalos) guerreiam. Não importa quem está certo: importa que quem é são não deve ir para rua. E assim não colocavam em pauta o que deveria estar: Haddad e Alckmin devem revogar imediatamente o aumento. A mídia burguesa é esperta.

Mas, ontem, a manifestação teve começo, meio e fim, e foi muito vitoriosa. Um passo importante.

Acredito que a luta de 2015 contra a tarifa seja bastante mais difícil de vencer do que a de 2013 (embora não impossível). Mas ela é tão importante quanto. Estamos abrindo uma jornada de lutas que será duradoura contra o cenário de ajuste que se impõe no Brasil, ampliado, em São Paulo, pela repressão e pelo caos generalizado nos serviços (vide a água).

Tenho concluído uma coisa simples sobre 2015 até agora: não está fácil ser manifestante (muita atividade e muita repressão). Mas não será fácil ser governante (Alckmin, Dilma, Haddad e todos).

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O propinoduto é dos tucanos

É impressionante o talento que tem a Folha para, todos os dias, noticiar o escândalo do metrô em São Paulo, mas sempre distanciar o leitor da conclusão política óbvia que se deve tirar com o tema: a culpa do governo Alckmin. Melhor: a culpa dos sucessivos governos do PSDB em São Paulo, inclusive os de Alckmin, que foram e são um paraíso para as grandes empresas e os grandes empresários do Brasil e do mundo, à custa dos métodos preferidos de toda essa gente: a negociata e a corrupção.

Nas notícias diárias da Folha, o caso é quase ininteligível. Uma história toda fragmentada e sem “donos”. Ou simplesmente um dado da realidade. As manchetes costumam tratar em abstrato de “investigações”, nome de empresas poderosas e cifras milionárias, sem estabelecer julgamentos. Só uma hecatombe é capaz de levar a sigla PSDB ou o nome de Alckmin para as letras garrafais. Pelo contrário, o nome de Alckmin aparece somente em notícias menores, subsidiárias às principais. São quase notas de rodapé com as declarações de nosso governador — sujeito austero e imparcial, sempre com o controle da situação — sobre “suspeitas” e “investigações”, nas quais, é claro, caso algo seja comprovado, o prejudicado maior será o próprio “Estado”.

É por trás de um contorcionismo impossível que o governo tenta se esconder, com o suporte indispensável da imprensa, fingindo que não tem nada a ver com a história. Tentam, juntos, nos convencer de uma estranha hipótese de existência de suborno sem subornados.

Para desconstruir a ladainha esdrúxula,  um exercício é interessante. Consulte no Houaiss a palavra propina. Certamente, você encontrará a seguinte descrição: “quantia que se oferece ou paga a alguém para induzi-lo a praticar atos ilícitos; suborno”. E, então, eu pergunto: existe propina dada, mas não recebida? Existe propina em abstrato? Ou será que os bois na história da corrupção em São Paulo têm mais nomes do que nos parece ao ler a Folha de São Paulo? Aloysio Nunes, José Aníbal, Andrea Matarazzo, Geraldo Alckmin, José Serra e até mesmo o inatingível Mário Covas: são estes apenas alguns dos tucanos que “prejudicam o Estado” — Alckmin tem razão, de fato. É essa gente que recebe a propina, ou permite que ela seja recebida. É essa gente que permite e promove a ingerência promíscua dos negócios privados na esfera pública — paraíso do capitalismo. Canalhas que promovem a eterna parceria entre governo e grandes empresas para, juntos, sugar o dinheiro do povo e não investir nos nossos direitos.

Geraldo Alckmin no ABC Santo Andre governador 065

30 mil nas ruas da Zona Leste

Passei hoje por uma das experiências mais incríveis desde o início do extraordinário levante que estamos vivendo. 30 mil pessoas nas ruas da Zona Leste de São Paulo, saindo do Tatuapé e caminhando muito, muito mesmo, sem cansar (confesso que saí no meio da passeata) em direção ao centro. Estavam lá principalmente jovens, uma molecada de 15, 16, 17 anos. Outros com mais idade. Muitos casais. Alguns com filhos pequenos. Uma marcha predominantemente da classe média baixa, bastante popularizada. Espontânea, refletindo a massa brasileira que não quer, de modo algum, sair das ruas. Que sabe que 20 centavos é pouco. Que recusa a política da maneira como ela é hoje. Que desconfia das instituições e vê em suas próprias manifestações o caminho para construir um país diferente. Uma massa que não tem líderes, mas já começa, nas ruas, a perceber a importância de termos organização e reivindicações claras para vencer. Pegam pesado com a PEC-37, com a corrupção, com os gastos na Copa do Mundo, com os políticos burgueses e a mídia. Expressam, a cada canto, de maneira genuína, com palavrões e descontração, o tempo e a história que estamos fazendo. No meio do ato, pronunciou-se a Presidenta da República. Sabendo das notícias ao vivo, o povo ironizou o fato de Dilma dizer que “apoiava” as manifestações, ciente de que estava na rua contra ela e os políticos em geral. Ninguém está disposto a ser enganado.

As pessoas estavam felizes, politizadas, radicais – empoderadas! Muitas com a camiseta do Brasil, bandeiras, faixas com reivindicações legítimas e importantes, por dignidade e direitos. Nas janelas, era impressionante o apoio da população. Alguns prédios, mais colados às ruas, chegavam a ter em quase todos os apartamentos gente nas janelas. Todos acenando, muitos vibrando de maneira convicta. Alguns tremulavam a bandeira do Brasil com tanta força e alegria, que quase me levaram – a mim, um internacionalista – às lágrimas. Fiquei, confesso, junto com todo povo, muito feliz. Havia acabado de sair da USP, de um debate importante e interessante promovido pelo PET-Filosofia, mas no qual se refletiu bastante um temor a respeito do rumo que as manifestações têm tomado. Alguns chegaram a defender uma “unidade com o PT contra o fascismo”. Ou mesmo que nos retirássemos das ruas. De maneira alguma! Se é verdade que alguns skinheads e ultra-direitas se infiltram nas manifestações para manipulá-las, mais verdade ainda é que o povo está na rua tomando o destino em suas mãos e exigindo os direitos. De forma espontânea, democrática, radical e absolutamente impressionante. Estamos colocando a classe dominante e todos os governos na defensiva (basta ver o discurso oficial de Dilma hoje), em passeatas pelas ruas do centro e das periferias. Por fim, vou dizer: uma galera ficou animada para ir amanhã na Plenária do Juntos-SP!

Algumas das palavras de ordem entoadas:

“Hoje eu tô feliz/ Eu tô na rua pra mudar o meu país!”
“Brasil, vamos acordar/ O professor vale mais que o Neymar”
“Olha que legal/ É a Zona Leste tomando a Radial!”
“Quem apoia pisca a luz!” (E os apartamentos respondiam lindamente)
“Ei, Globo/ Vai tomar no cu!”
“Ô deputado, ô senador/ Quero te ver com salário de professor!”
“Fora corrupção/ Eu quero meu dinheiro pra saúde e educação”
“Doença é o caralho/ Feliciano, saia do armário!”
“Doutor, eu não me engano/ Filha da puta é o Feliciano”
“Quem não pula tá com a Dilma!”
“O povo unido/ É gente pra caralho!”
“Que coincidência/ Não tem polícia, não tem violência”
“O povo unido/ Jamais será vencido”
“Alckmin, fascista/ você que é terrorista!”
“Da copa eu abro mão/ Eu quero meu dinheiro pra saúde e educação”
“Copa é o caralho/ Educação, saúde e trabalho”

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Nos tornamos dezenas de milhares em um dia histórico

“São Paulo rebelde, São Paulo bela, São Paulo sem medo”.

atoo

No final do ano passado, num livro da “Juventude Sem Futuro”, da Espanha, li uma frase que me chamou atenção: “Madrid rebelde, Madrid hermosa, Madrid sin miedo”. Era escrita por uma jovem ativista dos indignados que sacudiam a capital do país e ocupavam Puerta del Sol.

Nunca esperei que, em tão pouco tempo, São Paulo se tornaria igualmente rebelde. Igualmente bela. Igualmente com cada vez menos medo. Hoje foi um dia histórico em todo Brasil, e é isso o que devemos ter em mente: fomos 4 mil em Porto Alegre. 10 mil no Rio. No mínimo, 15 mil em São Paulo. A reação fascista dos governos - que têm em Alckmin e no atual Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (PT), seus grandes líderes – demonstra também sua fragilidade. Há muito tempo, talvez há mais de dez anos, a burguesia não era obrigada a lidar com tanta gente na rua. A força da juventude está chacoalhando o Brasil justamente às vésperas de grandes eventos – Copa das Confederações, do Mundo e Olimpíadas – por meio dos quais se almeja alçar o Brasil ao topo do paraíso dos empresários. 20 centavos aqui, 30 acolá, em cada cidade do Brasil, estão se tornando muito mais do que moedas: são o campo de batalha em que podemos vencer e pelo qual já se abre uma nova situação política no país, como no mundo já vemos há quase 5 anos.

O Juntos é parte disso. Parte muito importante. Debaixo de um casaco fedendo a vinagre, me arrepio a cada momento que lembro de cada um de nossos militantes. Mesmo em meio a uma brutal repressão (hoje se comprova que ela vem da polícia e não dos manifestantes), fomos solidários. Coesos. Corajosos. Daqueles que – de onde vem tanta força? – levavam sobre a cabeça os instrumentos da bateria, mesmo em meio a bombas de gás, aos que hasteavam bandeiras para que nosso bloco se mantivesse coeso. Dos que se movimentavam coletiva e solidariamente (muitos distribuindo vinagre e mais vinagre), aos nossos camaradas da linha de frente que “negociavam” com a polícia. Estamos sendo grandes.

A dispersão, o gás, as balas e bombas não são o retrato do dia de hoje. O retrato são 15 mil nas ruas, incríveis, incontroláveis. Espontaneamente cantando palavras de ordem como “São Paulo acordou” e “O povo acordou”. E é verdade. Daqui para frente, podemos virar a maré. Ganhar o sentimento democrático para nós. Demonstrar que a violência vem somente da polícia e de seus chefes – os donos do poder desse país. E que as principais representações políticas da burguesia – PSDB e PT – precisam ser varridas da política nacional. Podemos, e já estamos abrindo uma nova situação no país.

Este será o retrato do dia 13 de junho de 2013. Histórico. Grandioso. E crescerá nossa confiança de que as bombas, os gases e os cassetetes poderão, tão somente, representar a faísca que incendiará o que eles, desesperadamente, buscam apagar. Nos tornando dezenas de milhares, eles não podem nos deter. E nós não vamos diminuir.

Parabéns a tod@s. Rebeldes, bel@s e sem medo.

A juventude está confiante

Hoje, São Paulo parou pelo segundo dia consecutivo. Milhares de jovens indignados tomaram as ruas da cidade. A luta contra o aumento das tarifas – de ônibus, trem e metrô – ganha força e, na próxima terça-feira, 11/06, será muito maior.

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Somos parte de uma luta que acontece em todo país. Ontem, nossa cidade não marchou sozinha: esteve ao lado de Goiânia, Natal e Rio de Janeiro. E, sobretudo, fez agitar o exemplo de Porto Alegre, onde dezenas de milhares puderam, de fato, derrubar o aumento da tarifa. Hoje, a capital gaúcha é um símbolo que, nas ruas, nos motiva (e nos gabinetes amedronta os poderosos).

A crise econômica se avizinha de nosso país. O PIB estaciona e a inflação galopa. Mas o que muda no Brasil não é somente a economia. Vemos mudar a disposição de luta da população, com os jovens na vanguarda. Vemos a diferença que faz vivermos um tempo em que, ao entrar no Facebook, compartilhamos fotos em que milhões de pessoas aparecem nas praças da Turquia; vídeos em que centenas de milhares de chilenos lutam pela educação e enfrentam a polícia; fotos de atos em cidades de todo Brasil, com jovens acuando governos e prefeituras, ao mesmo tempo em que, distante das metrópoles, ergue-se de maneira heroica a luta indígena pelo direito à terra e à vida.

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Estamos em tempos de luta. E um fato é consumado: a juventude está confiante. Os que participaram de outras jornadas contra o aumento da tarifa em São Paulo, e agora participam em 2013, percebem a disposição. Algo simples, mas que faz toda diferença: hoje, quando saímos às ruas, estamos menos sozinhos. Sentimos muito mais chance de vencer. Sabemos que nossa força é o motor das mudanças que precisamos. E nada, absolutamente nada, amedronta mais os de cima do que essa convicção. Por isso, com tamanha rapidez, vemos nas páginas dos jornais e telas de tevês a reação vociferante e manipuladora da mídia, tão a serviço de seus donos.  Mas essa própria distorção acaba por nos motivar ainda mais. Saindo das escolas e universidades direto para as ruas, o jovens de São Paulo querem construir uma outra cidade, à altura de seus sonhos, do tamanho das lutas que vemos no mundo, e com a disposição de lutar, lutar e lutar, até abaixar a tarifa.

Eles é que estão com medo. Nós estamos confiantes. Terça-feira será maior.

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